Investigadores da Polícia Federal (PF) incluíram de forma oficial o nome do jornalista e youtuber Paulo Figueiredo no inquérito que apura a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As suspeitas envolvem crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Contexto da investigação
Paulo Figueiredo, neto do último presidente da Ditadura Militar no Brasil, João Figueiredo, passou a ser uma figura “inevitável” no inquérito. Isso se deve às suas colaborações com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ambos supostamente buscam implementar sanções a autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e membros da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Provas relevantes e redes sociais
Fontes próximas a investigações revelaram ao Metrópoles que parte das evidências coletadas contra Figueiredo foram obtidas em suas próprias postagens nas redes sociais. Em uma delas, ele afirmou ter intermediado com o governo dos EUA a exclusão dos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes de um pacote de sanções que, no final das contas, apenas afetou o ministro Alexandre de Moraes. Apesar disso, outros magistrados ainda tiveram seus vistos revogados.
A notícia é real. E confesso que fiquei um pouco surpreso com a dificuldade elementar de tantas pessoas entenderem a implementação da estratégia que sempre defendemos. Gilmar, Barroso e os demais já estão e continuarão sob sanções de visto, juntamente com os seus familiares.… pic.twitter.com/s3yG4EnbsA
— Paulo Figueiredo (8) (@pfigueiredo08) 30 de julho de 2025
A PF considera Figueiredo como um “braço” de Eduardo Bolsonaro nos EUA para facilitar a implementação das sanções.
Atividades na Casa Branca
Em um episódio significativo, Figueiredo publicou uma foto ao lado de Eduardo Bolsonaro na Casa Branca no dia 7 de maio, onde indicava estar organizando novas reuniões em Washington (DC) para discutir sanções adicionais contra o magistrado que conduz a investigação acerca da tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O inquérito e sua repercussão
O inquérito foi instaurado após uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao ministro Alexandre de Moraes e tem um prazo de 30 dias para ser concluído, a menos que haja um pedido de prorrogação. A PGR argumenta que Eduardo Bolsonaro tem adotado um “tom intimidatório” que interfere no julgamento da ação penal contra seu pai.
O procurador-geral Paulo Gonet destacou que a ameaça reside nas possíveis sanções impostas pelo governo dos EUA. Eduardo Bolsonaro se apresenta como alguém com influência junto ao governo americano, reivindicando ter feito articulações que poderiam resultar em punições direcionadas a autoridades que o investigam. Estas ações seriam, segundo Gonet, uma resposta à alegada perseguição política contra ele e seu pai.
Conexão com o caso de desinformação
Paulo Figueiredo já é réu no STF, tendo sido denunciado pela PGR em fevereiro deste ano por disseminar informações desinformativas com conotação golpista. Essa atividade está inserida nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que ocorreu após as eleições de 2022.
Movimentos políticos e suas consequências
Eduardo Bolsonaro se afastou da Câmara em março deste ano para residir nos Estados Unidos, onde alega reportar abusos cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes. O requerimento da PGR é resultado de uma representação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), o líder do PT na Câmara, e visa investigar se as ações do parlamentar podem embaraçar o andamento dos julgamentos no STF.
A PGR defende que as ameaças mencionadas por Eduardo abrangem a cassação de vistos, o bloqueio de bens nos Estados Unidos e a proibição de estabelecer relações comerciais naquele país, criando um cenário de tensão tanto na política nacional quanto nas relações internacionais.
A inclusão de Paulo Figueiredo no inquérito traz à tona questões cruciais sobre a real intenção de ações políticas e as possíveis repercussões que podem afetar o Estado Democrático de Direito no Brasil. A continuidade das investigações poderá revelar mais detalhes sobre a articulação entre figuras políticas no cenário brasileiro e as implicações éticas desse tipo de comportamento.