Brasil, 29 de agosto de 2025
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Obstrução no Congresso após prisão domiciliar de Bolsonaro

Parlamentares fazem protestos e exigem votação de propostas durante obstrução que se estendeu nas câmaras.

Na última semana, o clima no Congresso Nacional se acirrou após a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que decretou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A partir disso, iniciaram-se ações de obstrução tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, refletindo a tensão política que o país enfrenta.

Ações de Obstrução no Congresso

A obstrução dos trabalhos congressuais teve início na terça-feira (5/8), quando senadores e deputados começaram a se revezar nas Mesas da Câmara e do Senado. Os parlamentares, em um protesto contundente, utilizaram fitas para cobrir a boca, simbolizando a frase “cala a boca”, e acamparam nos plenários, determinados a garantir uma presença contínua durante as sessões.

O objetivo principal da oposição, formada por partidos que apoiam Bolsonaro, é pressionar pela votação do chamado “pacote da paz”, proposto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Esse pacote inclui o Projeto de Lei que garante anistia aos condenados no episódio do 8 de janeiro, além de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a extinção do foro privilegiado, que protege parlamentares de processos judiciais.

Reuniões e As Táticas

Em meio à obstrução, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente, convocaram reuniões de emergência nas residências oficiais para discutir o impasse. Motta tomou uma atitude mais drástica, ameaçando suspender por seis meses os deputados que continuassem a boicotar as sessões. No Senado, Alcolumbre optou por contornar a ocupação com uma sessão online, tentando manter as atividades legislativas.

O presidente da Câmara finalmente conseguiu presidir uma sessão, apesar dos protestos ruidosos. Em seu discurso, pediu respeito à institucionalidade e enfatizou que as soluções para os problemas do país devem prevalecer sobre interesses individuais ou políticos.

Desdobramentos e Respostas da Oposição

A sessão da Câmara foi marcada sem votações, mas estabeleceu um ponto de virada na obstrução. Nos bastidores, a articulação do Centrão, que inclui partidos como o PP e União Brasil, foi fundamental para persuadir os bolsonaristas a descerem da Mesa. Embora não houvesse um compromisso formal, a oposição considerou a movimentação como uma conquista, com garantias de que suas pautas seriam analisadas.

O senador Magno Malta (PL-ES) foi um dos que chamou mais atenção ao se acorrentar à Mesa Diretora do Senado, prometendo não sair até que o pacotão fosse votado. Ele deixou claro que estava disposto a enfrentar consequências, como perder salários, em nome do que acredita serem suas convicções políticas.

Atmosfera e Momentos Peculiares

Apesar da tensão, alguns momentos de leveza também ocorreram. Na Câmara, o deputado Zucco (PL-SC) postou um vídeo com membros da oposição, desfrutando de um café e pão de queijo, enquanto afirmavam que permaneceriam até que a anistia fosse pautada. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) relatou que a oposição enfrentou dificuldades para acessar um auditório que serviria como plenário alternativo, mas conseguiram depois de um tempo.

Outro episódio peculiar foi quando a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levou sua filha de apenas 4 meses para participar da obstrução, uma atitude que provocou discussões acaloradas sobre o uso de crianças em ações políticas. O líder do PT, Lindbergh Farias, prometeu acionar o Conselho Tutelar por conta da situação.

Conclusão

No Senado, o ambiente foi permeado por momentos de apelo religioso, com o pastor Jorge Linhares liderando uma oração entre os congressistas. A situação no Congresso permanece em constante evolução, refletindo a polarização política que marca o cenário nacional. Conforme as negociações e os protestos continuam, a expectativa é de que as tramas políticas que se desenrolam nas próximas semanas terão um impacto significativo nas decisões e ações do governo.

A obstrução e os eventos relacionados refletem não apenas a crise política atual, mas também a forma como as forças políticas estão se reestruturando no Brasil. Com um cenário legislativo tão conturbado, o futuro das pautas propostas e o desenrolar das tensões entre o Executivo e as câmaras é, sem dúvida, motivo de vigilância constante por parte da população e analistas políticos.

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