Brasil, 30 de agosto de 2025
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Fim da obstrução bolsonarista na Câmara dos Deputados

Obstrução durou horas e resultou em tensão entre deputados após prisão de Jair Bolsonaro.

O fim da obstrução bolsonarista aos trabalhos da Câmara aconteceu de maneira tensa e precisou quase ser forçado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (República-PB). Mesmo com o chefe da Casa Legislativa presente no plenário, deputados bolsonaristas resistiram a se retirar da cadeira onde as sessões são conduzidas e só saíram após cerca de dez minutos.

A tensão no plenário

Durante o intervalo de tempo em que a obstrução ocorreu, Motta esteve acompanhado no plenário por agentes da Polícia Legislativa e por deputados que tentaram amenizar a situação, como o líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), e o vice-presidente da Casa, Altineu Cortes (PL-RJ). Os esforços para convencer os deputados bolsonaristas a desocupar a Mesa Diretora foram em vão, refletindo a resistência que se instaurou no ambiente legislativo.

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que sentou na cadeira de Motta e levou sua filha de quatro meses para acompanhá-la. Embora tenha saído alguns minutos após a chegada do presidente, ela foi substituída por outros deputados bolsonaristas, demonstrando a persistência do grupo em manter a obstrução.

Discursos e divisões no plenário

Antes de Motta retomar a mesa da Câmara, deputados da oposição se envolveram em uma disputa de palavras de ordem. O lado bolsonarista entoou o grito “anistia já”, enquanto o grupo governista respondeu com “sem anistia”. Esse clima polarizado evidenciou a divisão ideológica que permeia os debates atuais na Câmara, refletindo as tensões políticas do país.

Acordo e resistência

Um acordo traçado entre o presidente da Casa e líderes partidários em uma reunião realizada no final da tarde estabeleceu que haveria sessão às 20h30 e que aqueles que resistissem a desocupar seriam punidos com a suspensão do mandato por seis meses e a remoção pela Polícia Legislativa. Apesar disso, os bolsonaristas mantiveram sua posição e se recusaram a desocupar o plenário, prolongando a obstrução. A desocupação só foi possível cerca de duas horas depois, após Motta tentar um acordo com a oposição, que não se concretizou.

Os deputados do PL, liderados por Sóstenes Cavalcante (RJ), não mostraram flexibilidade e insistiram que só desocupariam o plenário com a aprovação da anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Essa exigência complicou ainda mais as negociações, evidenciando a dificuldade de encontrar um consenso em meio a uma crise política tão acentuada.

O encerramento da sessão e os próximos passos

Diante da falta de acordo, Motta tentou retomar a sessão mesmo assim. O presidente da Casa chegou a abrir a reunião do plenário e fez um discurso em favor da conciliação, mas encerrou a sessão sem realizar nenhuma votação. Além disso, ficou decidido que haveria sessões de votação tanto na Câmara quanto no Senado no dia seguinte, sinalizando uma tentativa de normalizar os trabalhos legislativos após um dia marcado por conflitos.

A obstrução, que teve início na tarde desta terça-feira, foi desencadeada pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida na noite anterior. Os membros da oposição utilizaram a paralisação para pressionar a Câmara a pautar o projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e cobraram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a dar andamento a pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Esse episódio recente na Câmara dos Deputados serve como um reflexo das tensões políticas que atualmente marcam o cenário brasileiro, com disputas ideológicas e resistência se manifestando de maneira intensa dentro da própria Casa Legislativa. A expectativa agora é se os próximos dias trarão alguma forma de resolução ou se a crise continuará a se aprofundar.

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