A recente assinatura de decreto por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumenta a tarifa sobre produtos brasileiros, gerou preocupações sobre seus efeitos na economia do Brasil. A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira (6), eleva a alíquota de 20% para 50% sobre diversos produtos nacionais, embora contemple uma lista de 700 exceções consideradas estratégicas.
Repercussões do tarifaço dos EUA na economia brasileira
De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o impacto do tarifão dos Estados Unidos ainda apresenta incertezas, dependendo do desenvolvimento das negociações bilaterais e da percepção de risco no cenário internacional. A ata foi divulgada após a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, seu maior nível em duas décadas.
Segundo o Banco Central, “o Comitê acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a economia real e os ativos financeiros”. A entidade revelou que, diante da maior incerteza externa, deve manter uma postura de cautela, priorizando os mecanismos de transmissão das tensões externas sobre a inflação interna.
Affectações de setores estratégicos brasileiros
Dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) indicam que cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos, empregando aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no país. Os setores mais afetados incluem o aeronáutico, o energético e partes do agronegócio, que já manifestam preocupações e iniciam articulções junto ao governo para atenuar esses impactos.
“O tarifão pode provocar danos consideráveis às nossas exportações e emprego”, afirmou o presidente da Amcham Brasil. Em resposta, representantes dessas indústrias já solicitam medidas de proteção ao governo federal para minimizar os prejuízos.
Perspectivas econômicas e risco inflacionário
O Banco Central destaca na ata que o cenário prospectivo de inflação permanece desafiador, com expectativas acima da meta em diversos horizontes. A instituição reforça que a atividade econômica apresenta sinais de moderação, o que é compatível com a política de juros elevados adotada atualmente.
“De modo geral, observamos uma certa moderação de crescimento, essencial para a convergência da inflação à meta, dentro do quadro de política monetária contracionista”, afirmou o BC. Ainda assim, há preocupações de que tensões comerciais possam impulsionar o dólar, pressionando ainda mais os preços internos.
Atualizações e próximos passos
O Banco Central continuará monitorando os efeitos do aumento tarifário e os mecanismos que influenciam a inflação, buscando equilibrar o controle inflacionário com a desaceleração econômica. O órgão sinalizou que, apesar dos desafios, manterá sua postura de cautela até que haja maior clareza sobre o quadro internacional.
Mais informações podem ser acessadas na reportagem do G1: Impactos do tarifão de Trump na economia brasileira.