Na quinta-feira (26), a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou um amplo pacote de reformas fiscais e comandos de imigração, enviando-o ao presidente Donald Trump para sanção. Com votos de 218 a 214, a medida retira expansões do sistema de proteção social, realiza cortes de US$ 4,5 trilhões em impostos e reforça a política de deportações, causando preocupação entre setores sociais.
Impactos das mudanças no sistema de saúde e assistência social
O projeto prevê a imposição de requisitos de trabalho para beneficiários de Medicaid, o que pode levar à exclusão de muitos adultos sem deficiências. Segundo o Congressional Budget Office, as mudanças dificilmente resultarão em maior emprego entre os beneficiados, mas vão reduzir significativamente os gastos federais com saúde, especialmente em áreas rurais.
Além disso, o corte de recursos do programa de assistência alimentar (SNAP) incentiva Estados a restringirem o acesso, ao exigir que Estados com altas taxas de pagamento incorreto contribuam financeiramente. Essa medida foi ajustada na versão final, beneficiando estados como Alasca, com alto índice de erro, o que pode gerar incentivos a fraudes.
Fortalecimento das ações de imigração e deportação
O pacote inclui uma alocação de US$ 150 bilhões para reforçar a agenda de deportações de Trump, incluindo US$ 45 bilhões para novos centros de detenção e US$ 29 bilhões para aumentar o número de agentes do ICE. Essa verba é mais de cinco vezes o orçamento anual do Bureau de Prisões dos EUA.
Autoridades de imigração promoverão ações que podem afetar milhões de imigrantes, com críticos advertindo sobre o risco de transformar o ICE em uma força paramilitar. Trump já cogita deportar cidadãos nascidos nos EUA, o que aumenta as preocupações sobre o impacto social da legislação.
Reações e críticas ao projeto
O líder da minoria democrata, Hakeem Jeffries, classificou o projeto como um ataque à saúde pública e uma traição às responsabilidades do governo. “Este projeto é cruel, covarde e uma quebra de valores fundamentais do país”, afirmou em discurso de quase nove horas na Câmara. Por outro lado, o presidente da Câmara, Mike Johnson, elogiou a aprovação como parte da agenda “America First”, prometendo que as mudanças terão efeito imediato.
Alguns republicanos moderados expressaram hesitação, mas acabaram apoiando a iniciativa após pressões internas. O deputado David Valadao, por exemplo, que havia indicado voto contra, acabou votando a favor, alinhando-se à maioria partidária.
Perspectivas futuras e impacto econômico
Com a aprovação, o governo Trump reforça uma política fiscal considerada irresponsável por setores independentes, ao acelerar o aumento do déficit público, que deve atingir US$ 3,4 trilhões adicionais. Defensores do projeto argumentam que as cortes fiscais estimularão um crescimento econômico robusto, embora especialistas alertem para os riscos de uma crise fiscal.
A expectativa é que o projeto seja sancionado por Trump rapidamente, acelerando mudanças que podem agravar desigualdades sociais e prejudicar o acesso à saúde e à alimentação dos mais vulneráveis. As próximas semanas serão cruciais para o desenrolar dos efeitos dessa legislação na sociedade americana.