Durante uma coletiva nesta terça-feira, Donald Trump afirmou que pode reconsiderar a permanência de Elon Musk nos Estados Unidos, após o CEO da Tesla e SpaceX denunciar o governo e criticar uma legislação que, segundo o próprio Trump, aumenta o endividamento nacional. A relação entre os dois ex-aliados, que já foi próxima, continua em declínio.
Continuação da disputa sobre o projeto de lei controverso
O projeto de lei em questão, apoiado pelo Partido Republicano, deve acrescentar pelo menos US$ 3,3 trilhões à dívida pública, conforme dados do Congressional Budget Office. A legislação tem como objetivo reestruturar o sistema fiscal e de gastos do país, mas enfrenta forte resistência de uma parte dos republicanos.
Trump criticou duramente a proposta, que está sendo defendida por senadores republicanos, e ameaçou financiar desafios primários contra os apoiadores da medida. “Eles querem gastar demais, e isso prejudica o país”, declarou Trump, que também sugeriu a possibilidade de retirar subsídios que Musk recebe de programas federais.
Relações tensas entre Trump e Musk
Recentemente, Musk se posicionou contra o projeto de lei, criticando publicamente o movimento e deixando claro seu desacordo com Trump. Em resposta, o ex-presidente indagou, de forma ambígua, se planeja deportar Musk, dizendo: “Não sei, teremos que analisar.”
Trump também indicou que poderia usar órgãos do governo, como o então Departamento de Eficiência Governamental — liderado anteriormente por Musk para reformas na administração federal — para limitar os subsídios às empresas do bilionário. “Elon pode receber mais subsídios do que qualquer ser humano na história. Sem esses incentivos, provavelmente, ele teria que fechar as portas e voltar para a África do Sul”, afirmou Trump.
Histórico de conflitos e alianças
A relação entre ambos começou a se deteriorar após Musk criticar o projeto de lei de Trump e fazer acusações relacionadas ao ex-presidente Jeffrey Epstein, as quais posteriormente foram apagadas de suas redes sociais. Após uma fase de aproximação e até mesmo cooperação durante a campanha presidencial de 2024, a conexão se esfarelou e virou conflito aberto.
Musk, que foi um importante doador e apoiador de Trump na campanha de 2020, deixou a equipe do ex-presidente pouco antes de sua saída do governo. Desde então, ambos têm trocado provocações, com Musk reconhecendo que seus ataques “foram longe demais”, após diálogo com o vice-presidente Vance e a chefe de gabinete Susie Wiles.
Perspectivas e consequências futuras
Especialistas veem a ameaça de Trump de expulsar Musk como um sinal da intensificação da polarização política nos Estados Unidos. Ainda não há confirmação se Trump realmente tomará medidas concretas nesse sentido, mas a tensão indica uma crise nas relações entre um dos maiores apoiadores e ex-aliado do ex-presidente.
O episódio evidencia os desafios que a administração Trump enfrenta em manter uniões políticas e alianças empresariais enquanto promove suas agendas de política econômica e de imigração.