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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Especialistas alertam sobre proposta de RFK Jr. de usar dispositivos de saúde em todos os americanos

<p> Executivos de segurança expressam preocupação com riscos à privacidade e proteção de dados de wearables incentivados pelo governo</p>

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Durante uma audiência na subcomissão de Saúde da Câmara, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., sugeriu que todos os americanos usem dispositivos de monitoramento de saúde, como smartwatches e anéis inteligentes, para “controlar” sua saúde e assumir responsabilidade por ela. A iniciativa, apoiada por parte do governo, levanta sérias preocupações de especialistas em segurança cibernética.

O que Kennedy propõe e quais são os riscos

Kennedy afirmou que o uso de wearables pode ajudar as pessoas a monitorar níveis de glicose, frequência cardíaca e outros indicadores enquanto se alimentam, promovendo melhores decisões sobre dieta e atividade física. Apesar de ainda ser apenas uma sugestão, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos anunciou uma campanha para incentivar o uso desses dispositivos.

Embora os dispositivos possam ser benéficos para o monitoramento de saúde, eles coletam uma quantidade enorme de dados pessoais, incluindo localização, ciclo menstrual, níveis de açúcar e padrões de sono. Especialistas reforçam que a segurança dessas informações é uma preocupação real, sobretudo pelo risco de vazamentos ou uso indevido.

Segurança e privacidade na mira de especialistas

Riscos de vazamentos e vulnerabilidades

Alex Hamerstone, diretor de soluções de consultoria da TrustedSec, afirma que não há indicação de que o governo tenha interesse em acessar esses dados, mas ele alerta que o tema de segurança é delicado. “Muitos desses dispositivos apresentam vulnerabilidades que podem ser exploradas por hackers, e os dados sensíveis, como níveis de glicose, podem ser usados para prejudicar os usuários,” explica.

Kevin Johnson, CEO da Secure Ideas, também aponta preocupações devido a eventos passados, como o vazamento de dados de militares via app Strava em 2018, e a vulnerabilidade de dispositivos conectados a redes Wi-Fi ou Bluetooth que podem ser hackeados.

Diferença entre uso individual e coleta governamental

Segundo Johnson, o maior risco não é apenas o governo coletar dados, mas o fato de esses dados serem altamente valiosos para empresas e hackers. Para Hamerstone, “dados de saúde não têm a mesma proteção que registros médicos sob a HIPAA, e podem ser vendidos ou compartilhados de forma indiscriminada.”

O impacto potencial na vida das pessoas

O especialista enfatiza que informações sensíveis, como níveis de glicose e dados reprodutivos, podem influenciar decisões de seguro, prestar uma fotografia detalhada da vida do usuário e até afetar seu crédito ou elegibilidade para benefícios.

Chronister, CEO da Parameter Security, ressalta que a segurança dessas informações é limitada, e que as empresas muitas vezes têm autorização para compartilhar dados mesmo contra a vontade dos usuários, por exemplo, em fusões ou aquisições.

Medidas que o usuário pode tomar

Para reduzir os riscos, o conselho geral dos especialistas é revisar regularmente as configurações de privacidade, optar por conexões Bluetooth seguras e usar senhas fortes. No entanto, mesmo assim, o controle sobre os dados permanece limitado, já que tudo depende das políticas das empresas e de possíveis vulnerabilidades de hardware ou software.

Implicações futuras e a importância do conhecimento

Especialistas alertam que, com o avanço da inteligência artificial, os dados de saúde coletados podem ser usados para fazer previsões sobre doenças, avaliações de seguro e outros fatores que podem impactar a vida financeira. É fundamental que os usuários estejam cientes do longo prazo de suas informações pessoais.

Enquanto o governo incentiva o uso de wearables, a discussão sobre privacidade e segurança ainda está em aberto. A decisão de adotar esses dispositivos deve ser feita com consciência dos riscos envolvidos, sobretudo no que diz respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à segurança cibernética.

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