Um caso trágico tem chamado a atenção no estado da Bahia, onde um bebê de apenas dois meses, Heitor Gustavo Ribeiro, teve que passar por uma amputação do pé após complicações decorrentes de uma bronquiolite. A família acusa o Hospital Materno-Infantil Doutor Joaquim Sampaio, em Ilhéus, de negligência médica, uma vez que o garoto ficou 22 dias internado sem a devida urgência no tratamento necessário.
O quadro de saúde de Heitor e as consequências da internação
Heitor foi internado no dia 16 de maio e, durante um exame de Raio-X, sofreu uma parada cardiorrespiratória, o que levou à colocação de um acesso venoso em seu pé direito. A mãe do bebê, Sara Ribeiro, relata que, após o procedimento, houve vazamento de medicação, que inicialmente foi confundido por um dos médicos com urina. "O pé dele estava roxo. A princípio o médico falou que era urina e depois falou que deu infiltração", disse Sara.
A demora na transferência para um hospital em Salvador agravou a situação do menino. Somente depois de 22 dias, e com a intervenção do Ministério Público da Bahia, a família obteve autorização judicial para que Heitor fosse transferido. Ao chegar no Hospital Geral do Estado (HGE), a gravidade do quadro exigiu a amputação do pé devido à necrose que se desenvolveu na região.
As alegações de negligência e o sofrimento da família
A família de Heitor considera que a falta de um atendimento ágil e adequado resultou na tragédia. "Ele precisaria ser transferido com urgência. Teve toda uma demora do tratamento, foi só piorando e agravando o pé do meu filho", lamentou Sara. Desesperada, a mãe informou que teve que autorizar a amputação, um momento que ficou marcado pela dor e sofrimento. "Chegou o momento que eu via o osso do pé do meu filho. Isso é uma dor, um sofrimento, porque eu tive que assinar a autorização para amputar o pé dele", contou.
Investigação e resposta das autoridades
O promotor de Justiça, Pedro Nogueira Coelho, confirmou que o Ministério Público está avaliando todos os prontuários médicos de Heitor para investigar a acusação de negligência. Ele enfatizou que a revisão dos documentos é crucial para entender se houve falha nos protocolos médicos que poderiam ter evitado a situação crítica do bebê. “Vamos fazer uma perícia indireta nos prontuários para saber se terá constatação de responsabilidade de cunho penal ou protocolo médico que não foi seguido de forma correta”, destacou o promotor.
Pronunciamento da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia
A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (Sesab) se posicionou oficialmente, afirmando que o bebê recebeu todos os cuidados necessários e detalhando que a lesão no pé ocorreu após complicações no tratamento. Em nota, a SESAB afirmou que o caso de Heitor foi tratado por uma equipe médica qualificada e que os familiares foram informados sobre cada passo do atendimento. Mesmo assim, a Secretaria declarou que abrirá uma sindicância para investigar todas as condutas no Hospital Materno-Infantil Doutor Joaquim Sampaio.
Os desdobramentos desse caso servem como um alerta para a importância da agilidade no atendimento médico, principalmente em casos de urgência. A tragédia envolvendo Heitor Gustavo Ribeiro não deve ser em vão e é fundamental que as autoridades responsáveis investiguem minuciosamente as alegações de negligência para garantir que outros bebês não enfrentem situações semelhantes.
Conclusão
O caso de Heitor é uma dura realidade enfrentada por muitas famílias que dependem do sistema de saúde. Os tempos de espera e a qualidade do atendimento muitas vezes fazem a diferença entre a vida e a morte. É crucial que todos os envolvidos, desde os órgãos de saúde até as autoridades competentes, se unam para garantir que a saúde da população, especialmente dos mais vulneráveis, receba a devida atenção e cuidado. O destino de Heitor é um lembrete pungente da importância de ouvir e atender as necessidades médicas com urgência e responsabilidade.