A popularidade de São Antonio de Pádua, cuja festa é celebrada na Igreja Católica nesta sexta-feira, pode ser atribuída ao seu esforço de se aproximar como vizinho de todas as pessoas, segundo o reitor da basílica que guarda seu corpo.
O caráter universal de São Antonio de Pádua
“A devoção ao Santo dos Povos é realmente universal, talvez porque ele mesmo desejava considerar toda a população mundial sua vizinça,” explicou Father Oliviero Svanera, reitor da Basílica de São Antonio de Pádua, na Itália.
“Ele era português de nascimento, foi até Marrocos para espalhar a fé, naufragou na Sicília, depois voltou pela península italiana até Assis e entrou na Ordem de São Francisco, que o enviou até a França.”
Depois de retornar à Itália, São Antonio foi nomeado superior provincial e viveu em Pádua, onde faleceu em 1231.
O dom da comunicação e a fraternidade universal
“Relata-se que ele falava uma língua composta por mil sotaques diferentes, mas que era compreendida por todos,” comentou Svanera. “Portanto, era um vizinho de todos: aos pobres, às pessoas em dificuldade, aos enfermos. Sua condição de ‘irmão de todos’ reflete sua universalidade, que o torna amigo de todos os povos, independentemente de nacionalidade, cultura ou religião. São Antonio é respeitado até por aqueles que não professam a fé católica.”
Trajetória e legado de São Antonio
O santo nasceu como Fernando Martins em Lisboa, por volta de 1195, e aos 15 anos entrou no Mosteiro de São Vicente, com os Canônicos Regulares de Santo Agostinho, sendo ordenado padre.
Em 1220, ficou profundamente tocado ao ver as relíquias de cinco missionários franciscanos martirizados em Marrocos. Obteve permissão para deixar os agostinianos e ingressar na Ordem dos Frades Menores, adotando o nome de Anthony. Trabalhou como pregador e ajudou a estabelecer a teologia franciscana.
Foi canonizado em 1232, apenas um ano após sua morte, pelo papa Gregório IX, que o chamava de “Arcada da Aliança”.
A preparação para a festa e o milagre do pão
Também em 1232, teve início a construção da basílica que abriga o corpo de São Antonio, concluída na virada do século XIV. Svanera explicou a tradição da “Tredicina”, que acontece antes da celebração do santo.
“A palavra ‘Tredicina’ refere-se aos 13 dias de meditação e preparação espiritual para a solenidade de São Antonio, de 31 de maio a 13 de junho. A cada dia, os devotos invocam a intercessão do santo através de orações específicas, confiando-se à misericórdia de Deus. Estes dias transformam a basílica num destino de peregrinos de todo o mundo,” detalhou.
Ele também revelou a origem da tradição do “Pão de São Antonio”.
“Ela remonta a um dos ‘milagres’ do santo, quando Tommasino, um bebê de 20 meses, se afogou em uma tina d’água. Sua mãe invocou o auxílio do santo e prometeu dar pão aos pobres pelo peso do filho, se ele voltasse à vida. E o menino foi miraculosamente ressuscitado,” relatou Svanera.
Daí surgiram duas obras de caridade associadas ao santo: a “Opera Pane dei Poveri”, que distribui pão e alimentos aos necessitados em Pádua, e a Caritas Sant’Antonio, que apoia projetos de desenvolvimento em vários países.
Ensinamentos e legado de São Antonio
Svanera destacou as lições essenciais transmitidas pelo exemplo do santo.
“A pregação de São Antonio sempre tocava o coração de todos, graças à sua vida exemplar e humildade, aprendida com Nossa Senhora, a quem era profundamente devoto,” afirmou.
Ele concluiu: “São Antonio pregava o Evangelho que supera as tentações do poder, do orgulho e do mundo. Seu amor o levava a se colocar ao lado do próximo — refugiados, migrantes, desempregados, doentes, marginalizados — e cuidar deles. Assim, seremos uma Igreja eficaz, se, como São Antonio, sairmos de nós mesmos para pregar Cristo crucificado com humildade verdadeira, repleta de amor.”
Esta reportagem foi originalmente publicada em 13 de junho de 2017 e atualizada em 13 de junho de 2025.