Países do Brics reafirmam compromisso no combate às mudanças climáticas
Ministros do Meio Ambiente do Brics se reúnem em Brasília e destacam a urgência de ações para enfrentar crises ambientais globais.
Foto: Agência Brasil
Por: Redação JDP
5 de abril de 2025
Na última quinta-feira (3), em Brasília, os 11 países-membros do Brics reafirmaram seu compromisso em ampliar ações urgentes para enfrentar as consequências das mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. Este movimento é crucial em um cenário global que enfrenta desafios como desertificação, degradação da terra, seca e poluição.
Foto: Franciso Cruz /Agência Brasil
Declaração conjunta dos ministros de Meio Ambiente
A declaração conjunta firmada ao final da 11ª reunião dos ministros de Meio Ambiente do Brics — que inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã — foi divulgada após um encontro realizado no Palácio do Itamaraty, presidido pelo Brasil. Na declaração, os ministros destacam: “Reafirmamos nosso firme compromisso de ampliar ações urgentes para enfrentar os desafios impostos pela mudança do clima, perda de biodiversidade, desertificação, degradação da terra, seca e poluição, entre outros.”
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, mencionou em entrevista coletiva que a transição energética deve ser planejada: “O que está decidido é que nós temos que triplicar o uso de fontes de energia renovável, duplicar a eficiência energética e fazer a transição justa para o fim dos combustíveis fósseis”.
Temas abordados na reunião dos Países do Brics
Durante a reunião, quatro temas essenciais foram discutidos, todos refletidos na declaração conjunta: poluição por plástico e gestão de resíduos; desertificação, degradação da terra e seca; preservação, restauração e valorização dos serviços ecossistêmicos; e a liderança coletiva para o clima, alinhando as ações com a Agenda 2030 da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
As autoridades lembraram a importância do multilateralismo e da colaboração em ações de proteção ambiental e promoção do desenvolvimento sustentável, expressando preocupação com as metas de financiamento que podem não ser cumpridas. Um exemplo apontado foi o compromisso de países desenvolvidos em destinar US$ 300 bilhões por ano até 2035 para financiar ações climáticas em países em desenvolvimento. Essa meta foi acordada durante a 29ª Conferência das Partes (COP29) da ONU, realizada em 2024 no Azerbaijão.
“Não nos furtamos a fazer o debate. É essencial viabilizar o US$ 1,3 trilhão para a implementação destes esforços,” enfatizou Marina Silva, respondendo a questionamentos sobre a dinâmica entre os países do Brics, muitos dos quais são grandes produtores de combustíveis fósseis.
Foto: Agência Brasil
A importância da apresentação das Ndcs
Marina destacou que todos concordam sobre a necessidade de implementar as decisões tomadas e que a forma de fazê-lo varia de acordo com cada país. As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), documentos onde cada nação estabelece suas metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2035, devem ser ambiciosas. Até agora, apenas Brasil e Emirados Árabes Unidos apresentaram oficialmente suas NDCs.
O prazo para a entrega das NDCs por parte das demais nações do Brics se encerra em setembro.
O encontro em Brasília destaca não apenas a necessidade de medidas imediatas, mas também um compromisso coletivo para um futuro sustentável. Com a urgência nas ações climáticas clamando a uma resposta rápida e eficaz, a iniciativa do Brics pode servir como um modelo para outros blocos e nações ao redor do mundo, enfatizando a importância de uma abordagem colaborativa diante dos desafios ambientais globais.