Brasil, 6 de abril de 2025
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Edgard Telles Ribeiro toma posse na Academia Brasileira de Letras

O diplomata e escritor Edgard Telles Ribeiro assume a cadeira 27 da ABL em cerimônia emotiva, destacando sua rica trajetória cultural.
Foto: Divulgação ABL

Na noite da última sexta-feira, 4 de abril, o renomado diplomata e escritor Edgard Telles Ribeiro foi oficialmente empossado na Academia Brasileira de Letras (ABL), em uma cerimônia que ocorreu na sede da instituição, no coração do Rio de Janeiro. Ribeiro ocupa a cadeira 27, sucedendo o poeta e filósofo Antonio Cicero, que faleceu em outubro do ano passado. Este evento não apenas marca uma nova etapa na vida do acadêmico, mas também reforça o papel da ABL como um bastião da cultura e da reflexão sobre a identidade brasileira.

Edgard Telles Ribeiro
O presidente da ABL, Merval Pereira e Edgard Telles Ribeiro. Foto: Divulgação ABL

A importância da ABL para a cultura brasileira

Durante seu discurso de posse, Ribeiro enfatizou a importância da ABL, destacando que a Academia não é indiferente ao que acontece ao seu redor. “Longe de indiferente ao que sucede em seu entorno, a Academia, pelo simples fato de existir (e, por vezes, resistir) atua em tantas frentes, representando um dos principais baluartes de reflexão sobre o que a cultura brasileira possa significar hoje”, declarou ele, ressaltando a necessidade de se pensar o Brasil em toda sua complexidade cultural.

Edgard Telles Ribeiro nasceu em Valparaíso, no Chile, em 1944. Vindo de uma família de diplomatas — seu pai, Milton Telles Ribeiro, também foi diplomata e deixou um legado cultural importante —, Edgard tem uma trajetória multifacetada que abrange o cinema, a literatura e a diplomacia. Iniciou sua carreira como crítico de cinema e, ao longo dos anos, produziu uma obra literária significativa, com 15 livros publicados, incluindo romances e coletâneas de contos.

Reconhecimento literário e diplomático

Entre suas obras mais notáveis está “O punho e a renda”, que aborda os bastidores das embaixadas durante a ditadura militar no Brasil e que lhe rendeu o Prêmio de Melhor Romance do Pen Clube em 2011. Seu livro “Olho de rei”, que oferece uma perspectiva única sobre a vida no Rio de Janeiro através dos olhos de um imigrante francês, também foi amplamente elogiado, recebendo o Prêmio da Academia Brasileira de Letras em 2006.

Ribeiro fez uma analogia entre a ABL e o Itamaraty, onde atuou por quase 50 anos, afirmando que ambas as instituições têm a missão de “pensar o Brasil”. Ele mencionou sua experiência como diplomata em diversos países, reforçando que tais vivências proporcionam uma base sólida para refletir sobre a cultura nacional e sua representação no exterior.

Uma homenagem a Antonio Cicero

O novo acadêmico também expressou carinho e respeito por seu antecessor, Antonio Cicero, ressaltando o impacto que a amizade e as conversas com ex-membros da ABL tiveram em sua formação e desenvolvimento. “A sensação de delicadeza que se repetiria aqui na Academia, nas vezes em que trocamos algumas frases, sempre ricas em pausas solenes”, disse Ribeiro, referindo-se à profundidade da amizade entre os intelectuais que compuseram a ABL.

Recepção calorosa e o fardão confeccionado por uma estilista

A recepção de Edgard Telles Ribeiro foi marcada pelo discurso do escritor e jornalista Ruy Castro, que destacou a brasilidade do novo acadêmico, independentemente de sua cidadania chilena. Ruy elogiou a obra literária de Ribeiro, pontuando que assim como o diplomata, seus personagens também desafiam as fronteiras geográficas. “A ação em seus livros muda de país, atravessa oceanos reais ou virtuais”, comentou Castro.

Outro ponto notável da cerimônia foi a apresentação do fardão, confeccionado pela estilista carioca Julia Parker, marcando a primeira vez em 35 anos que uma mulher assina o “uniforme” oficial de um acadêmico da ABL. “Sinto-me honrada de ser apenas a segunda mulher nessa lista”, disse Parker, refletindo sobre a tradição de confecção geralmente dominada por homens.

Expectativas para o futuro na ABL

O presidente da ABL, Merval Pereira, fez questão de ressaltar o papel de Edgard Telles Ribeiro como romancista, enfatizando que sua experiência no campo cultural trará à Academia um olhar inovador e necessário. “Edgard foi eleito por ser um romancista, e não um diplomata, mas como diplomata também trabalhou na área cultural, o que será um grande trunfo para a Academia.”

Com todas essas dimensões que compõem a trajetória de Edgard Telles Ribeiro, sua posse na ABL representa um convite à reflexão e à valorização da cultura brasileira, em um momento em que o país precisa de diálogos profundos sobre sua história e identidade.

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