Brasil, 4 de abril de 2025
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O que eles não viram, mas está lá: o monstro sem face nas urnas

José Ribas Neto

O presidente Lula e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, parecem ignorar um fator silencioso, mas de peso crescente para as eleições de 2026: o opositor envergonhado.

Esse grupo, que já foi chamado de “isentão”, tornou-se uma moeda eleitoral que cada vez mais pende para a direita. São eleitores que não gostam do governo e não são fiéis ao chamado “bolsonarismo”, mas também não se manifestam publicamente. Guardam para si sua insatisfação e só a demonstram na hora do voto.

Esse perfil é composto, em grande parte, por pessoas jovens, de boa escolaridade e economicamente ativas. São empresários, profissionais liberais e funcionários do setor privado que compreendem minimamente economia e gestão pública. Eles não compram narrativas emocionais, mas sim números concretos. Observam se as promessas se traduzem em resultados reais ou se são apenas discursos. E, ultimamente, o que enxergam não é animador.

A Economia e a desilusão

A pesquisa Genial/Quaest de março de 2025 reflete esse sentimento. Entre os mais escolarizados e de renda média e alta, a desaprovação ao governo Lula cresce. Isso ocorre porque esses eleitores percebem diretamente os impactos das políticas econômicas. Eles sentiram no bolso o aumento da carga tributária e os efeitos das promessas não cumpridas, como a redução do preço dos alimentos e dos combustíveis. Além disso, a celeuma da “taxa Pix” ainda repercute, e no Piauí, a elevação da taxação sobre compras online de 17% para 20% já sinaliza sua insatisfação.

Os dados mostram que, para muitos brasileiros, a economia piorou no último ano. O poder de compra caiu, os preços subiram e a dificuldade de encontrar emprego aumentou. Esse eleitor não se impressiona com propaganda estatal sobre benefícios sociais, pois não depende deles. Ele olha para a eficiência do Estado e não vê melhorias. O governo prometeu crescimento e estabilidade, mas o que entregou foi um cenário de estagnação e mais impostos.

Além disso, há um fator de desgaste na comunicação do governo. A troca de ministros da Secom (Secretaria de Comunicação Social) não melhorou a imagem do presidente, e sua presença constante na mídia não tem surtido efeito positivo. Pelo contrário, a percepção de que Lula fala muito, mas entrega pouco, só cresce.

No Piauí, a CCOM (Coordenadoria de Comunicação do Estado) falhou em tornar Rafael Fonteles apresentável para além da mídia alinhada ao governo. Isso resultou na substituição de Mussoline Guedes e na nomeação de Marcelo Nolêto, um “rafaboy” cuja atuação eleitoral em 2024 nas cidades-chave foi marcada por fracassos, como em Teresina e Parnaíba. A situação se agrava, pois Nolêto, ainda acreditando no poder da mídia social pró-governo, pretende hipervalorizar justamente o único meio de comunicação sobre o qual o governo não tem controle total: as redes sociais. Os exemplos de Parnaíba e Teresina demonstram o poder da atuação orgânica de jovens influenciadores, alheios à máquina do governo.

O Conservadorismo jovem e a perseguição

Outro fator que Lula e Fonteles parecem não levar em conta é o crescimento do conservadorismo entre os jovens. Diferentemente da década passada, em que universidades eram redutos da esquerda, hoje há um número significativo de estudantes que rejeitam o petismo. Esses jovens, muitas vezes de classe média, cresceram vendo escândalos de corrupção, recessão econômica e o fortalecimento de discursos progressistas que não os representam.

No entanto, por medo da patrulha ideológica, muitos evitam expor suas opiniões. Assim como um homossexual envergonhado teme o julgamento da sociedade, o jovem conservador teme ser cancelado por colegas e professores. Por isso, esse eleitorado se manifesta apenas no voto. Ele não entra em debates acalorados nas redes sociais, mas compartilha discretamente sua visão em grupos privados de WhatsApp.

O Eleitor silencioso e a supresa de 2026

Esse cenário desenha um risco real para Lula e seus aliados. A esquerda, que por décadas dominou a narrativa entre jovens e universitários, não conseguiu se renovar. Se antes perdia força entre pessoas de 45 a 60 anos, geralmente funcionários públicos de carreira e herdeiros de um “PSDBismo” tardio, agora vê uma nova ameaça: o jovem conservador, impulsionado pelo chamado “efeito Nikolas”. O discurso que funcionava no passado já não convence uma geração que cresceu com acesso irrestrito à informação, aprendeu a questionar a propaganda oficial e tem no Instagram e no TikTok suas principais fontes de informação — espaços onde surgem visões alternativas àquelas promovidas pela GloboNews e pela Meio Norte, que ecoam a retórica governista.

Enquanto o PT aposta na fidelidade de seu eleitorado tradicional e em medidas assistencialistas para garantir apoio, um segmento crucial da população se distancia cada vez mais. Esse eleitor não se envolve em brigas políticas, não participa de protestos, não se expõe publicamente. Mas ele vota.

Se o governo continuar ignorando essa tendência e apostando apenas na propaganda, no carisma de Lula e nas camisas brancas de Rafael, pode acabar surpreendido em 2026. Assim como aconteceu em 2022, quando muitos analistas subestimaram a força da direita, há um novo movimento silencioso que pode decidir o futuro do país e tem elevado a queda da aprovação do petismo em todas as esferas sociais. E, quando esse eleitor resolver falar, será através das urnas.

E o barulho da queda não será um estrondo, mas um gemido.

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