Brasil, 4 de abril de 2025
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Entenda a nova guerra de tarifas de Trump e seus efeitos para o Brasil

Presidente Donald Trump. Foto: us.gov

A nova guerra de tarifas de Trump promete redesenhar o comércio global e já levanta preocupações no Brasil. A medida impõe sobretaxas a todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, com o objetivo de recuperar a indústria americana e conter os déficits bilionários, mas especialistas apontam riscos para a economia mundial — e oportunidades para o Brasil.

Tarifaço busca recuperar competitividade industrial dos EUA

Em uma ofensiva comercial considerada por especialistas como a mais agressiva desde os anos 1930, o governo Trump impôs tarifas generalizadas às importações de bens de todos os parceiros comerciais. O objetivo, segundo a Casa Branca, é reverter os déficits comerciais anuais dos EUA, que somam cerca de US$ 1 trilhão, e reindustrializar o país.

De acordo com o economista Paulo Gala, da FGV-SP, a medida é uma resposta direta à perda de competitividade frente aos países asiáticos, cuja participação no mercado global industrial cresceu exponencialmente nas últimas décadas. No entanto, ele alerta: “Não é com tarifas que os EUA vão resolver a diferença de custo de produção com a Ásia.”

Impacto global e reflexos no Brasil das tarifas de Trump

Embora o Brasil tenha recebido a menor tarifa — 10% sobre todas as exportações —, os impactos indiretos da guerra comercial podem ser profundos. O economista destaca que o movimento cria um ambiente de incerteza global, derruba bolsas e pode paralisar decisões de investimento.

“É um choque brutal, comparável aos anos 1930”, avalia Gala. Empresas brasileiras com forte presença no mercado norte-americano, como a Embraer, podem ser diretamente afetadas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os EUA são o principal destino das exportações industriais brasileiras.

Tarifa não recíproca: críticas à lógica da medida das tarifas de Trump

O governo Trump justificou as tarifas com base na falta de reciprocidade nas relações comerciais. Como exemplo, citou o etanol brasileiro, que paga uma tarifa de 2,5% nos EUA contra 18% no Brasil. No entanto, Gala critica a lógica adotada: “Não foi uma tarifa recíproca. Foi uma resposta tosca, baseada nos déficits comerciais.”

Para ele, o custo de produção elevado nos EUA — até seis vezes maior que o asiático — é o real entrave para a competitividade americana. “Enquanto um trabalhador asiático recebe US$ 1 mil, o salário médio nos EUA é de US$ 5 mil.”

Brasil pode transformar crise em oportunidade

Apesar dos riscos, há também oportunidades para o Brasil. A sobretaxa sobre produtos de outros países pode abrir espaço para exportações brasileiras em setores estratégicos. Volnei Eyng, CEO da Multiplike, afirma que importadores podem buscar alternativas fora dos EUA: “O Brasil pode ampliar sua presença internacional se souber se posicionar”.

Além disso, com menor impacto direto em relação a outros países, o Brasil tem margem para negociar, diversificar parceiros e reforçar sua posição estratégica no comércio global.

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