Brasil, 4 de abril de 2025
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‘Ela pediu ajuda. Ninguém ouviu’; Aumentam os casos de feminicídio no Piauí

Vítimas pedem socorro, mas Estado falha e casos de feminicídio aumentam em quase 40%.
Aumentam os casos de feminicídio no Piauí

O estado do Piauí vive um cenário alarmante: em 2024, os casos de feminicídio aumentaram 32% comparação com o ano anterior. Os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública e revelam um crescimento preocupante da violência letal contra mulheres, especialmente em cidades do interior.

Levantamentos apontam que mais de oitenta por cento das vítimas já haviam sofrido violência antes de morrer. Muitas procuraram ajuda e não conseguiram proteção efetiva.

A Delegacia da Mulher em Teresina vive com equipe reduzida e sem recursos suficientes.

Parnaíba, Floriano e Teresina lideram o ranking de municípios mais afetados. O avanço da violência também tem relação direta com a subnotificação de agressões anteriores e a dificuldade de acesso a redes de proteção.

Além disso, o Piauí também apresentou um aumento de 17,8% nos casos de violência contra a mulher em geral, com 238 registros em 2024, contra 202 em 2023. A capital, Teresina, concentra o maior número de ocorrências, com 101 casos.

Casos de violência contra mulheres aumentam no Piauí.
Aumento dos casos de violência contra a mulher no Piauí.

O Piauí parece viver um padrão de violência que se alastra. Mulheres jovens, negras, assassinadas por companheiros ou ex-companheiros em contextos de violência doméstica prolongada.

Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que mais de oitenta por cento das vítimas tinham algum tipo de relação afetiva com o agressor. Muitas procuraram ajuda, mas não encontraram suporte eficiente. Em várias cidades do interior, sequer há delegacias especializadas.

“Falta pessoal, estrutura, carro para diligência. Não tem como proteger sem recursos”, desabafa uma agente da Polícia Civil de Picos, que preferiu não se identificar.

Em Teresina, apenas uma casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência está em funcionamento — e já opera com superlotação. O botão do pânico, prometido desde dois mil e vinte e dois, ainda não foi implantado em boa parte dos municípios.

É como se estivéssemos gritando no vazio. Cada mulher assassinada carrega uma história ignorada pelo sistema.

Onde está o Estado?

Em 23 de março de 2025, um homem de 35 anos foi preso em flagrante no município de Corrente, sul do Piauí, suspeito de feminicídio contra sua companheira, uma mulher de 32 anos. A vítima foi encontrada sem vida em sua residência, apresentando uma lesão significativa na cabeça.

Segundo informações da Polícia Militar, o suspeito teria utilizado um objeto contundente para agredir a vítima durante uma discussão. Vizinhos relataram que as brigas entre o casal eram frequentes, e que já haviam ouvido gritos e pedidos de socorro anteriormente. O suspeito foi encaminhado à Delegacia Regional de Corrente, onde permanece à disposição da Justiça.

“Não basta prender depois. É preciso investir em prevenção”, afirma um especialista ao sugerir que é urgente revisar as políticas públicas.

A sociedade também tem um papel decisivo. Denunciar casos de violência, acolher as vítimas e cobrar das autoridades a aplicação efetiva da Lei Maria da Penha são passos essenciais para frear essa estatística cruel.

Principais fatores que contribuem para o aumento dos feminicídios no Piauí

  1. Violência de gênero e cultura patriarcal: A violência de gênero, que envolve o uso da força ou ameaças para controlar ou intimidar mulheres, é uma das principais causas do feminicídio. A cultura patriarcal, que promove a dominação masculina, também desempenha um papel significativo na perpetuação dessa violência.
  2. Falta de acesso a educação e informação: Muitas mulheres não têm conhecimento sobre seus direitos, o que as torna mais vulneráveis ao abuso e à violência.
  3. Violência doméstica: O feminicídio frequentemente ocorre como resultado de violência doméstica, onde o agressor acredita que a única maneira de controlar a mulher é por meio da violência.
  4. Negligência da justiça e falta de medidas protetivas eficazes: A impunidade e a falta de medidas protetivas eficazes contribuem para a perpetuação da violência. No Piauí, apenas uma em cada dez vítimas de feminicídio tinha uma medida protetiva antes do crime.
  5. Desigualdade de gênero e hipossuficiência econômica: A desigualdade de gênero e a falta de condições financeiras para se sustentar aumentam a vulnerabilidade das mulheres à violência.

Enquanto isso, cada novo número registrado nas planilhas da segurança pública é um nome, uma história, uma vida interrompida.

Casos de feminicídio disparam no interior do Piauí

Floriano, Teresina e Parnaíba lideram os registros. Em muitas dessas cidades, faltam delegacias especializadas e equipes preparadas para agir rápido. Mulheres denunciam e seguem desprotegidas.

O que pode ser feito agora?

Especialistas cobram medidas urgentes: mais casas de acolhimento, implantação do botão do pânico, educação de gênero nas escolas e integração entre saúde, segurança e assistência social.

Denuncie. Compartilhe. Exija políticas públicas.
Violência contra a mulher é crime. Se souber de algum caso, disque 180.

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