Na última quinta-feira, a Apple passou por uma das mais significativas perdas financeiras de sua história, com a desvalorização de mais de US$ 250 bilhões em valor de mercado. A fabricante do iPhone se tornou uma das principais vítimas da nova ofensiva tarifária do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com essa queda, a capitalização de mercado da empresa despencou de US$ 3,37 trilhões para aproximadamente US$ 3,12 trilhões, o que equivale a cerca de R$ 16 trilhões.
Impacto das novas tarifas sobre a Apple
De acordo com informações do Financial Times, mesmo com os esforços do CEO Tim Cook para manter um relacionamento estreito com o governo americano, a Apple não conseguiu isenções nas novas tarifas impostas. A decisão de Trump afeta diretamente os principais fornecedores e centros de fabricação da Apple na Ásia, incluindo China, Taiwan, Índia e Vietnã, gerando tarifas significativas sobre produtos importados para os Estados Unidos.
As tarifas impactarão praticamente todos os modelos de iPhone, iPad, Mac e acessórios da empresa. Com isso, Tim Cook enfrenta um dilema complicado: aumentar os preços dos produtos para compensar os novos custos ou absorver as tarifas, o que pode comprometer bilhões em lucros para a companhia. Este cenário difícil vem em um momento em que a Apple já havia planejado contratar 20 mil novos funcionários e investir US$ 500 bilhões nos Estados Unidos nos próximos quatro anos, incluindo a construção de uma nova fábrica de servidores de inteligência artificial no Texas.
Fatores que agravam a situação econômica da empresa
Infelizmente para a Apple, as recentes confirmações da Casa Branca indicam que não haverá exceções para a empresa nas novas tarifas. Analistas do Citi comentam que mais de 90% da produção da Apple é realizada na China, onde as tarifas sobre as importações para os EUA podem chegar a combinar mais de 54%. Além disso, o Vietnã e a Índia, que têm se tornado centros de produção cada vez mais importantes para a Apple, também enfrentam taxas significativas de 46% e 26%, respectivamente.
Oportunidades em semicondutores
Um pequeno alívio pode ser encontrado nas tarifas relacionadas aos semicondutores, que estão isentos das novas imposições tarifárias. Essa isenção pode beneficiar diretamente a Apple, uma vez que a empresa depende da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para a fabricação de chips. Ademais, a nova fábrica da TSMC no Arizona faz parte dos investimentos bilionários que Apple e Nvidia têm planejado realizar em solo americano nos próximos anos. No entanto, essa expansão também pode ser afetada por tarifas de 20% sobre importações da União Europeia, incluindo equipamentos da ASML, que é fundamental para a produção de chips.
A importância do mercado americano para a Apple
Analistas da TD Cowen destacam que as vendas nos Estados Unidos representam cerca de um terço da receita total da Apple, sendo que aproximadamente três quartos desse valor provêm da comercialização de hardware. O iPhone, em particular, é responsável por quase dois terços das receitas do segmento de hardware da empresa no mercado americano.
O impacto das novas tarifas sobre a Apple e seu funcionamento global é um indicativo de como as decisões políticas podem afetar diretamente o mercado financeiro e as operações das grandes corporações. À medida que a situação evolui, será interessante observar como a Apple e outras empresas se adaptarão a este novo cenário econômico.