O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão histórica nesta quinta-feira (3/4) com a aprovação unânime de medidas estruturais voltadas à redução da letalidade policial e ao combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. O julgamento envolveu a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, refletindo a preocupação com as vidas perdidas em operações policiais e a necessidade de uma abordagem mais eficaz e menos letal por parte da segurança pública.

A importância da ADPF das Favelas
A ADPF das Favelas representa um marco na luta por justiça e segurança no Rio de Janeiro. A ação buscou implementar um plano para reduzir o número de mortes em operações policiais, reconhecendo que, embora tenham havido avanços na redução da letalidade, ainda persistem falhas administrativas significativas que resultam em tragédias. Assim, o STF emitiu um conjunto de determinações que visa não apenas a diminuição da violência, mas também a promoção de um ambiente de segurança pública mais transparente e responsável.
Principais medidas adotadas
Um dos principais pontos da decisão do STF é a determinação de que a Polícia Federal (PF) seja responsável pela investigação de crimes relacionados a organizações criminosas com atuação em múltiplos estados. Esta mudança é vista como essencial para desvincular as operações da polícia estadual, frequentemente criticadas por sua abordagem violenta e letal nas favelas. O novo plano exige que o estado apresente uma estratégia de retomada de territórios dominados por facções, com garantias de financiamento federal para que essas operações sejam sustentáveis e respeitem os direitos dos cidadãos.
Além disso, o STF estabeleceu que a PF deveria formar uma equipe permanente e exclusiva dedicada à coleta de inteligência e investigações focadas nas facções criminosas, assim como nas suas interações com autoridades públicas. As medidas também incluem um fortalecimento da repressão contra milícias, tráfico de armas e drogas, e lavagem de capitais, criando uma rede mais ampla de combate ao crime organizado.

Compromissos com a proteção dos civis
Outro aspecto crucial das novas medidas é o aumento do controle e da transparência em operações policiais que resultem em mortes. O STF exigiu a preservação imediata do local do crime sempre que houver intervenções policiais que resultem em fatalidades, assim como a realização obrigatória de autópsias. Elas devem ser concluídas em um prazo máximo de 60 dias, garantindo que os casos sejam resolvidos de forma rápida e eficiente. Este enfoque pretende não apenas responsabilizar agentes do Estado, mas também trazer uma nova luz sobre o uso da força nas operações policiais.
Aspectos de transparência e tecnologia
Além dos procedimentos operacionais, o STF reforçou a importância da transparência, exigindo dados públicos detalhados sobre confrontos policiais. Como parte das novas medidas, a expansão do uso de câmeras corporais em policiais e em viaturas é um passo importante para documentar as ações das forças de segurança, garantindo que possam ser monitoradas e analisadas por organismos independentes.
Estas alterações visam, em última análise, criar um ambiente de maior confiança entre a população e as instituições de segurança, promovendo um modelo no qual a proteção dos civis é prioridade. Com essa nova abordagem, espera-se que as operações policiais no Rio de Janeiro não apenas reduzam a letalidade, mas também resgatem a dignidade e os direitos dos cidadãos que habitam as áreas mais vulneráveis da cidade.
A aprovação dessas medidas representa um avanço significativo no debate sobre segurança pública no Brasil, especialmente em um estado marcado por históricas tensões entre policiais e a população. A expectativa agora é que a implementação dessas diretrizes traga resultados visíveis e positivos nos próximos meses.