Brasil, 3 de abril de 2025
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

PF indicia ex-assessor do TSE por vazamento de conversas envolvendo Alexandre de Moraes

A PF concluiu que Tagliaferro agiu de forma intencional para prejudicar a imagem das cortes superiores e comprometer investigações em curso. Foto: Reprodução

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (2) o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, por violação de sigilo funcional com dano à administração pública. O indiciamento ocorre no contexto do inquérito que investigou o vazamento de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e servidores do TSE e do STF, revelados em 2024. A PF concluiu que Tagliaferro agiu de forma intencional para prejudicar a imagem das cortes superiores e comprometer investigações em curso.

🔍 Investigação aponta violação consciente de informações sigilosas

Segundo o relatório final da Polícia Federal, Tagliaferro ocupava um cargo de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, função que lhe dava acesso a informações sensíveis que deveriam ser mantidas sob sigilo. Em abril de 2024, o ex-assessor teria informado à própria esposa que havia repassado dados a um jornalista da Folha de S. Paulo, o que a PF considerou prova inequívoca do crime.

— O diálogo deixou evidente que Eduardo divulgou ao jornalista informações obtidas no exercício de sua função, e que essas informações estavam protegidas por sigilo funcional — conclui a PF no relatório.

PF indicia ex-assessor do TSE
Foto: Reprodução

🧑‍⚖️ Objetivo era desgastar Moraes e as instituições, diz PF

Na avaliação do delegado responsável, o vazamento das mensagens teve como finalidade atingir diretamente a imagem do ministro Alexandre de Moraes e gerar desconfiança sobre a imparcialidade do STF e do TSE. As mensagens sugeriam que o gabinete de Moraes no Supremo teria solicitado relatórios ao TSE fora dos trâmites oficiais, o que o ministro nega.

— O intento da publicidade daquelas informações era arranhar a imagem do ministro do STF, questionar-lhe a imparcialidade na condução dos procedimentos mencionados na Suprema Corte e, por fim, turbar ainda mais o cenário político-social do país — aponta o relatório.

A PF classificou as ações como parte de um movimento para “obstar o curso natural das investigações contra organizações criminosas”, ao lançar dúvidas sobre a integridade do Judiciário e tentar desacreditar sua atuação no enfrentamento à desinformação e crimes políticos.

🚨 Tentativa de confundir investigação e culpar Polícia Civil

A PF também apurou que Tagliaferro tentou desviar o foco da investigação, sugerindo que a responsabilidade pelo vazamento estaria na Polícia Civil do Estado de São Paulo (PC-SP). Para os investigadores, houve uma tentativa deliberada de “baralhar a investigação”, projetando sobre terceiros a responsabilidade pelos crimes cometidos.

— O investigado tentou lançar suspeita sobre a Polícia Civil, afirmando que houve extração ilegal dos dados de seu dispositivo. Essa narrativa foi considerada inverídica e parte da estratégia de confundir os investigadores — afirmou a PF.

🧾 Próximos passos: PGR decide se apresenta denúncia

Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará se há elementos suficientes para oferecer denúncia formal à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, Tagliaferro poderá responder judicialmente por violação de sigilo funcional, crime previsto no Código Penal Brasileiro.

A defesa de Eduardo Tagliaferro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes