As negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano chegaram a um ponto crítico. Nesta quarta-feira (2), o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que um eventual fracasso nas conversas pode tornar um confronto militar com Irã “quase inevitável”.
A declaração foi feita durante apresentação na Assembleia Nacional da França, e ocorre poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que “haverá bombardeios” caso um novo acordo não seja firmado com Teerã.
Risco crescente de instabilidade no Oriente Médio – confronto militar com Irã
Barrot ressaltou que uma escalada militar teria “um custo altíssimo”, com potencial para “desestabilizar gravemente a região”. A advertência ocorre em um momento de estagnação nos diálogos diplomáticos com o Irã e aumento das tensões no Oriente Médio.
O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a convocar um conselho de defesa para discutir exclusivamente o papel do Irã nas crises regionais e sua influência estratégica, que se estende do apoio aos rebeldes huthis no Iêmen até o papel nos conflitos na Síria e no Líbano.

França reafirma posição: “O Irã nunca deve desenvolver arma nuclear”
Apesar do cenário tenso, Barrot reafirmou o compromisso francês com uma solução pacífica e diplomática:
“Nossa prioridade é alcançar um acordo que imponha restrições duradouras e verificáveis ao programa nuclear iraniano”.
Ele reconheceu, porém, que “a janela de oportunidade é estreita”.
O Irã, por sua vez, insiste que seu programa tem fins exclusivamente civis e nega qualquer intenção de produzir armamentos nucleares. Ainda assim, potências ocidentais seguem acusando o país de ocultar ambições bélicas.
O histórico do acordo nuclear e a volta das sanções
Em 2015, o Irã assinou um acordo com os Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha, comprometendo-se a limitar o enriquecimento de urânio em troca do alívio das sanções econômicas. O tratado foi considerado um marco diplomático.
No entanto, em 2018, Donald Trump retirou os EUA do pacto e reimpôs sanções severas contra Teerã, o que provocou o colapso gradual do acordo. Desde então, o Irã tem ampliado suas atividades nucleares, elevando o tom das ameaças em resposta à pressão internacional.
O guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que qualquer ataque ao país será respondido com “firmeza”.