O resultado das pesquisas Genial/Quaest e AtlasIntel, divulgadas nesta semana, acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. Dados indicam uma queda significativa na aprovação do governo Lula, especialmente entre jovens, mulheres, população negra e nordestinos — segmentos historicamente alinhados ao campo progressista e base histórica de Lula. A avaliação negativa levou ministros e auxiliares próximos ao presidente a defenderem mudanças urgentes na condução política e na comunicação governamental.

Dados preocupam Planalto: juventude se distancia e a base histórica de Lula
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (2), revelou um dos movimentos mais inquietantes para o governo: a queda de 12 pontos na aprovação entre jovens de 16 a 34 anos, que foi de 45% para 33%. No mesmo grupo, a rejeição ao governo subiu de 52% para 64%. Para um ministro ouvido sob reserva, o resultado representa uma ameaça estratégica:
— Não dá para perder a juventude — disse, preocupado com o desgaste que o governo vem enfrentando junto a uma faixa etária que historicamente foi força motriz em campanhas eleitorais de Lula.
A pesquisa AtlasIntel, publicada na véspera, apontou números igualmente desconfortáveis: 44,9% de aprovação contra 53,6% de rejeição. A convergência entre os dois levantamentos reforça, segundo ministros, que o problema é estrutural e exige ação imediata.
Base social do lulismo dá sinais de desgaste
Além da juventude, o governo também sofre perda de apoio entre mulheres, pessoas pretas e pardas, e eleitores do Nordeste, segundo a Genial/Quaest. Esses segmentos foram decisivos na vitória de Lula em 2022 e compõem a espinha dorsal de sua base popular. Para auxiliares do presidente, a sinalização é clara: a percepção de que o governo ainda não entregou melhorias reais no cotidiano pesa contra.
— Esse movimento é um sacode. O recado é claro: ‘Quero mais, cuide das minhas preocupações’. Quem tem ouvido para ouvir, ouça — avaliou um assessor próximo a Lula.
Inflação e segurança: os vilões apontados pelos ministros
Dois fatores são apontados internamente como os principais “vilões” dessa deterioração da imagem presidencial: a inflação dos alimentos e a crise da segurança pública. O aumento dos preços nos supermercados tem afetado especialmente as famílias de baixa renda, enquanto o medo da violência urbana se espalha pelas grandes cidades, sem que a população perceba uma resposta efetiva do governo federal.
A gestão Lula tem buscado reagir com medidas pontuais, como o projeto de lei que aumenta a pena para receptação de celulares roubados e a PEC da Segurança, mas auxiliares reconhecem que ainda falta uma narrativa clara e ações mais estruturantes para retomar a confiança popular.
Comunicação em reformulação e pressão por resultados
Na avaliação de ministros, o momento exige serenidade, mas também coragem para fazer ajustes profundos. A aposta do presidente na mudança da comunicação institucional, agora sob o comando do publicitário Sidônio Palmeira, é vista como uma tentativa de reconectar o governo com o sentimento popular.
Sidônio, que completa 90 dias à frente da Secom, prepara uma nova fase de campanhas com linguagem mais próxima da população e foco em resultados práticos, como o combate à fome, segurança e oportunidades de trabalho e renda. No entanto, integrantes do governo alertam: “A hora de agir é agora. Se perder 2025, a reeleição em 2026 se complica.”