O presidente Lula participa nesta quinta-feira (3) de um evento que marca o balanço de dois anos de governo à frente da Presidência da República. Idealizado pelo novo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, o encontro será uma vitrine para destacar ações do governo em áreas que enfrentam maior desgaste com a opinião pública: segurança pública, agronegócio e apoio ao empreendedorismo.
Segurança: prioridade diante da pressão popular
Levantamentos internos do governo mostram que o principal clamor da população é por respostas efetivas contra a violência urbana. A gestão Lula pretende reforçar o discurso em torno da PEC da Segurança e de um projeto de lei que agrava penas para receptação de celulares furtados ou roubados, crime cada vez mais comum nas grandes cidades.
Em declarações recentes, Lula tem adotado tom mais firme, afirmando que “a república de ladrão de celular não pode existir”. O objetivo é modular o discurso para se conectar com setores da sociedade mais conservadores e que exigem medidas concretas de combate à criminalidade.
Agronegócio e empreendedorismo: afagos estratégicos
A estratégia de comunicação também mira no agronegócio, setor onde o presidente enfrenta resistência. No evento, o governo deve ressaltar os investimentos no Plano Safra e os avanços na abertura de mercados internacionais para produtos brasileiros — iniciativas voltadas a suavizar as críticas de produtores e mostrar que o setor rural não está fora da agenda federal.
Para o setor de empreendedores, especialmente os pequenos, o foco será destacar políticas de acesso a crédito e a nova plataforma que facilita a participação de Microempreendedores Individuais (MEIs) em compras públicas. Essas ações buscam reverter a percepção de que o governo estaria distante das pautas de desenvolvimento econômico e geração de renda.
Comunicação: uma nova fase sob Sidônio Palmeira
O evento desta quarta-feira será o primeiro grande ato público com a marca da gestão Sidônio na Secom. Com 90 dias à frente do ministério, o publicitário pretende imprimir um novo tom de comunicação institucional, mais direto, emocional e voltado ao cotidiano do cidadão comum.
Um dos focos de Sidônio é evitar o uso excessivo de dados técnicos sem contexto. Como exemplo, ele orienta que o dado de que o governo tirou “60 mil pessoas por dia do mapa da fome” seja traduzido como “o equivalente a encher um estádio de futebol diariamente com brasileiros que voltam a comer”.
O discurso de “reconstrução” também será recorrente. No convite oficial ao evento, a Secom afirma que Lula assumiu um país em ruínas, e que os dois primeiros anos foram de “retirar escombros, limpar o terreno e reconstruir”.
Olho em 2026: recuperar a popularidade é essencial
O evento acontece um dia após a divulgação de nova pesquisa Genial/Quaest — aguardada com expectativa no Planalto. O último levantamento, de janeiro, mostrou Lula com 47% de aprovação e 49% de desaprovação. O dado preocupa aliados, que consideram a recuperação da imagem presidencial essencial para atrair partidos de centro-direita para a reeleição em 2026.
Sidônio tem repetido que o governo precisa “ganhar 2025” para viabilizar politicamente a reeleição de Lula. Com isso, a estratégia da Secom passa a ser menos defensiva e mais propositiva, centrada em narrativas de transformação, prosperidade e bem-estar — valores que dialogam com evangélicos e a classe média conservadora.