Brasil, 31 de março de 2025
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Zema: “Você acha isso justo? Parece que tem algo de errado com a Justiça do Brasil.”

O governador Romeu Zema criticou decisões judiciais e declarou que há algo errado com a Justiça do Brasil. A fala gerou repercussão e debates sobre a atuação do Judiciário.
Esta é a primeira vez que Zema demonstra apoio público a um dos acusados, uma postura que aparentemente busca alinhar-se com o bolsonarismo e com os interesses de uma fatia do eleitorado conservador. Foto: Pedro Gontijo / Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tem se posicionado de maneira significativa ao criticar o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, uma das rés dos ataques antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro. Esta é a primeira vez que Zema demonstra apoio público a um dos acusados, uma postura que aparentemente busca alinhar-se com o bolsonarismo e com os interesses de uma fatia do eleitorado conservador.

O caso de Débora Rodrigues dos Santos

Débora, uma cabeleireira presa há aproximadamente dois anos, é acusada de pichar a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça, localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O seu julgamento, que acontece em um plenário virtual, já contou com os votos pela condenação dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que pleiteiam uma pena de 14 anos de prisão. Os magistrados ainda têm até o dia 28 deste mês para proferir seus votos finais.

As acusações contra Débora são graves e incluem crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, além de danos ao patrimônio vinculado à Justiça. Em uma carta lida durante uma audiência, a ré expressou seu arrependimento e afirmou que, à época do ato, sua formação sobre a importância da estátua era inadequada.

Foto: Joedson Alves/Agencia Brasil

A defesa de Zema e o arrefecimento da Justiça

Romeu Zema utilizou sua plataforma para comparar o caso de Débora a outras situações controversas no Brasil, como a condenação do empresário Thiago Brennand por crimes de estupro e a soltura do traficante André do Rap. Zema questionou publicamente: “Você acha isso justo? Parece que tem algo de errado com a Justiça do Brasil.” Este tipo de retórica não é novo, mas seu uso pelo governador em relação a um caso tão polarizador traz à tona preocupações e questionamentos sobre sua estratégia política futura.

Uma estratégia política em emaranhado

O posicionamento de Zema, que busca consolidar-se como um representante da direita para as eleições de 2026, também reflete um contexto de alianças e rivalidades políticas. Com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema e outros governadores têm se tornado nomes cogitados para ocupar o Palácio do Planalto. Embora tenha mantido distâncias em relação a algumas pautas mais radicais do bolsonarismo, a defesa explícita de uma ré envolvida em um caso antidemocrático demonstra uma tentativa de se conectar mais ao eleitorado que se alinha com o ex-mandatário.

Troca de marqueteiro e alinhamento político

Um fator que pode explicar essa mudança de postura é a recente troca de seu marqueteiro. Zema substituiu Leandro Groppô, seu estrategista da campanha em 2018, por Renato Pereira, um profissional com experiência em campanhas mais tradicionais, como a de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. Essa nova orientação pode estar influenciando suas decisões de direcionamento político, especialmente sua intensificação das críticas ao governo Lula.

Em meio a este cenário, as escolhas de Roma Zema revelam não apenas a sua busca por consolidação política, mas também refletem as complexidades e os dilemas enfrentados por aqueles que se posicionam na esfera pública em tempos de polarização. A proximidade com o bolsonarismo pode render votos, mas também traz riscos de alienar setores do eleitorado que não concordam com essa linha de ação.

O movimento de Zema em direção ao bolsonarismo, ao criticar o STJ e defender uma ré envolvida em atos antidemocráticos, é um reflexo das suas ambições políticas demonstradas em um contexto de incertezas. O potencial de tal posição repercute não apenas nas futuras eleições, mas também nas implicações sociais e democráticas que perpassam o Brasil atual.

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