A venda de discos de vinil no Brasil alcançou um marco histórico em 2024, representando 76,7% do faturamento do mercado físico da música. Esse crescimento consolidou os tradicionais “bolachões” como os campeões de vendas, ultrapassando os CDs e comprovando que o vinil deixou de ser apenas uma tendência nostálgica para se firmar como a preferência dominante entre os consumidores brasileiros de música.

O renascimento do vinil no Brasil
A indiferença que um dia cercou o vinil se transformou em uma onda de valorização. Durante muito tempo, o consumo de música digital predominou, fazendo com que muitos acreditassem que o vinil estava fadado ao esquecimento. No entanto, a nova geração de ouvintes deu nova vida a esse formato tradicional de música. Em 2023, o vinil já havia ultrapassado o CD, que representava apenas 23% das vendas. Esse movimento reflete uma busca por autenticidade e qualidade sonora que os amantes da música ainda encontram nas “bolachas”.
O streaming continua a dominar
Mesmo com o crescimento expressivo da venda de discos de vinil, o streaming segue como a principal forma de consumo musical no Brasil. Em 2024, plataformas digitais como Spotify, Deezer e Apple Music foram responsáveis por 87,6% da receita total da indústria, movimentando cerca de R$ 3,05 bilhões. Esses números reforçam que, embora o vinil tenha conquistado um espaço importante, a digitalização ainda domina o mercado. O cenário indica que o streaming continuará sendo a base das estratégias da indústria fonográfica, ao lado de formatos físicos que seguem em ascensão.
Estratégias de mercado e investimentos em inovação
Segundo relatório da Pró-Música Brasil, os números refletem não apenas o aumento do consumo, mas também as novas estratégias adotadas pelas gravadoras e plataformas. Essas empresas têm investido em tecnologia, distribuição e inovação para impulsionar o setor, garantindo que a música continue acessível a todos. Além disso, a transformação digital, que inclui desde a distribuição online até estratégias de marketing, tem sido crucial para o crescimento tanto do vinil quanto das vendas digitais.

O futuro da venda de discos de vinil
Com o vinil voltando a seus níveis de popularidade de 2017, as expectativas para o futuro do mercado de música física são otimistas. Gravações especiais, edições limitadas e um foco na experiência do consumidor têm atraído tanto novos ouvintes quanto colecionadores antigos. As lojas de discos estão se reinventando, e eventos que celebram a cultura do vinil estão se tornando cada vez mais comuns, contribuindo para o aumento das vendas.
Especialistas alertam que, para manter o crescimento, a indústria musical precisará acompanhar as mudanças nas preferências dos consumidores. Com um público que varia desde os nostálgicos que cresceram ouvindo LPs até os jovens que estão descobrindo o formato pela primeira vez, a adaptação e a inovação na oferta de produtos e experiências serão essenciais para sustentar esse novo ciclo de sucesso da venda de discos de vinil.
O cenário musical brasileiro está em constante evolução. Com o vinil estabelecido como um importante player do mercado físico e o streaming dominando a digitalidade, o desafio será encontrar um equilíbrio que atenda a todos os tipos de ouvintes, garantindo que a música continue a ressoar nas vidas das pessoas. Ocorre, assim, um fascinante diálogo entre o novo e o antigo, colocando o Brasil na vanguarda da música mundial.
O que é a Pro-Música Brasil
A Pro-Música Brasil é a agência do ISRC no país. O setor fonográfico ganhou mais agilidade e centralização na atribuição e controle dos códigos ISRC — fundamentais para a rastreabilidade e remuneração correta dos detentores de direitos autorais. A mudança também representa um passo importante para a modernização e padronização dos processos da indústria musical brasileira, garantindo maior eficiência no registro e na gestão das obras, tanto em nível nacional quanto internacional.