O aeroporto de Heathrow, em Londres, enfrenta uma das maiores crises de sua história após um incêndio em uma estação de energia nos arredores do terminal paralisar completamente suas operações desde a noite de quinta-feira (20). Heathrow enfrenta colapso e até o momento, mais de 1.300 voos foram cancelados, rotas foram desviadas e o caos se espalhou pela aviação mundial. A previsão inicial de reabertura às 23h59 desta sexta-feira (21) já foi colocada em dúvida pela administração, que admite que a paralisação pode durar “mais alguns dias”.
A situação provocou duras críticas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que acusou o aeroporto de não ter um plano de contingência para o fornecimento de energia. “Este é mais um caso de Heathrow decepcionando tanto os viajantes quanto as companhias aéreas. Como é que uma infraestrutura crítica está completamente dependente de uma única fonte de energia? Isso é uma falha clara de planejamento”, afirmou Willie Walsh, presidente da entidade. A IATA também pediu paciência aos passageiros e afirmou que as companhias aéreas estão mobilizadas para reorganizar as viagens com a maior eficiência possível.

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🔥 Incêndio e apagão: o que se sabe
O incêndio teve início no início da madrugada de sexta-feira (ainda noite de quinta pelo horário de Brasília) em uma subestação elétrica na região de Hayes, próxima ao aeroporto. Cerca de 70 bombeiros foram mobilizados para controlar as chamas, que deixaram mais de 16 mil casas e empresas sem energia e obrigaram a evacuação de cerca de 150 pessoas. Ainda não há confirmação sobre a causa do incêndio, mas o comando antiterrorista de Londres assumiu a investigação, devido à ausência de causas aparentes e ao horário do incidente.
Enquanto a energia não é restabelecida, nenhuma chegada ou partida está sendo permitida em Heathrow, de acordo com a Eurocontrol, agência que gerencia o tráfego aéreo na Europa. A companhia Virgin Atlantic cancelou todos os voos de e para Heathrow até segunda-feira (24), enquanto outras empresas, como British Airways e EasyJet, também suspenderam operações ou desviaram aeronaves para outros aeroportos europeus.
✈️ Impacto global e risco de sobrecarga no setor aéreo
Com mais de 475 mil movimentos de aeronaves por ano, Heathrow é um dos principais hubs internacionais, servindo 230 destinos em 90 países e operando com 99% da capacidade. Somente em fevereiro de 2025, 5,7 milhões de passageiros passaram pelo terminal — o maior número já registrado para o mês. O impacto da paralisação já afeta voos na Europa, América do Norte e Ásia, com conexões sendo canceladas ou drasticamente alteradas.
Segundo dados do FlightRadar24, dezenas de voos dos Estados Unidos foram obrigados a retornar ao ponto de origem em pleno voo, enquanto empresas como Qantas e United Airlines redirecionaram aeronaves para Paris (França) e Shannon (Irlanda). Para agravar a situação, Heathrow opera com apenas duas pistas principais, e seu plano de expansão, com a adição de uma terceira pista, ainda aguarda aprovação definitiva.

🏗️ Infraestrutura sob pressão e Heathrow enfrenta colapso
A crise atual evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura do Heathrow, que já vinha sendo pressionada pelo volume de passageiros e pelas limitações operacionais. O aeroporto é operado pela Heathrow Airport Holdings, cujo controle envolve fundos internacionais como o Qatar Investment Fund e o Saudi Arabia’s Public Investment Fund.
Além de expor falhas na resiliência energética, o incidente acendeu o alerta sobre a dependência de fontes únicas de fornecimento em instalações de importância global. A IATA reforça a urgência de medidas estruturais para garantir a continuidade operacional em casos de emergência.