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Política

Vaza vídeo de Pazuello com revelações sobre sua saída: “ação orquestrada”

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General do Exército da ativa, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fez declarações bombásticas na cerimônia privada que deu posse ao seu substituto no Ministério da Saúde, o médico Marcelo Queiroga. Os vídeos exclusivos da cerimônia foram divulgados pela CNN Brasil.

“Em fevereiro, nós tivemos aqui a ação de um grupo interno nosso, porque tu tem isso, tu vai ter ter tiro de fora e de dentro, o tempo todo, esse grupo tempo empurrar uma psdeu nota técnica que nos colocaria numa extrema vulnerabilidade, querendo dizer que medicamento a, b ou c, a partir dali, estava com critérios técnicos do ministério, e ele não tinha, essa nota ténica foi montada dentro do ministério, por um grupo de médicos que nós trouxemos para o ministério, esse grupo de técnico fez uma fake news para o presidente”, disse Pazuello em um dos vídeos no qual ele diriga constantemente o olhar para o seu subtituto, Queiroga.

No vídeo, o ex-ministro detalha o que aconteceu durante episódios internos que marcaram sua saída da pasta.

Pazuello revela que já sabia que haveria mudanças no Ministério

“Começa a ter uma repercussão de oito atores agindo em cima da gente. E nessa repercussão final de oito atores agindo em cima da gente, reuni toda a nossa equipe no dia 27 de fevereiro, né isso? Eu fiz um quadrinho, dia 23 de fevereiro, eu fiz um quadrinho e mostrei todas as orquestradas contra o ministério, eram oito. Distribui missão para oito contenores das ações, o que que eu falei? Hélio, o que eu falei? Não foi isso que falei?”, ao perguntar, alguém na sala respondeu a Pazzuello: “Não passaremos de março, dia 20”.

“Não tinha como nós chegarmos ao dia 20 de março, porque todo o conjunto estava trabalhando. Marcelo já foi consultado no início de fereveiro. A comprensão da ação precisa ser, não posso sair daqui sem a gente compreender o movimento. O movimento é esse, fechou-se o cerco, no dia 23 de fevereiro eu reuni todo mundo e falei: nós não vamos chegar ao dia 20 de março. Não chegamos ao dia 15. Então, isso não pode virar surpresa. Porque nós não podemos ser supreendidos. Não podemos ser surpreendidos. Cada um saiu da minha sala com uma missão para tentar conter os pontos de ataque”

Pazuello, em vídeo gravado durante a transmissão do cargo de ministro da saúde

A expressão “não chegaremos ao dia 20 de março”, usado pelo agora ex-minstro Eduardo Pazuello, siginfica que o Ministério enfrentava uma crise política e ele já previa, de acordo com o ataques políticos que ele diz ter sofrido no cargo, que deixaria a função.

Eduardo Pazuello fala sobre lobby na Saúde

Numa espécie de alerta ao seu substituto no Ministério, Pazuello fez uma espécie de desabafo sobre como ele, como militar, imaginaria que a pasta deveria funcionar e como realmente funciona.

“Você não vai aceitar um cara aqui fazendo lobby? Não! Pô, não vai favorecer partido A, B ou C? Não! E o operador do fulano ou beltrano? Não! Ih, vai dá merda! Isso vai com que as pessoas que vivem a vida vendo esse procedimento, observem-nos com outros olhares.”

Eduardo pazuello, em discurso ao deixar o ministério

Ao revelar que a vida militar é austera, Pazuello disse, em defesa dos militares “não temos carro caro, não temos avião, não moramos no lago sul, desculpa quem mora, nós moramos em casas pequenas, moramos em quarto de hotel e andamos com carro da classe média. Somo nós militares, então isso precisa ser colocado de forma claro”, disse.

A declaração foi, além de uma defesa dos militares diante da mistura política provocada por Jair Bolsonaro quando em diversas vezes apeleu, direta ou indiretamente, para o Exército quando se viu acuado em situações políticas. Pazuello separou a classe militar da classe política quando fez referências à simplicidade com a qual, segundo eles, os militares levam suas vidas.

Ainda na cartase do ex-ministro, ele revelou que a composição perfeita seria a dele com o também ex-ministro Nelson Teich. “A composição perfeito era o Teich e eu”, disse o ex-ministro.

Pressão política por causa das verbas do Ministério

Nunca antes um ministro fez declarações tão contundentes ao deixar um cargo e elas são reveladoras.

O fato de Eduardo Pazuello fazer as declarações numa cerimônia fechada, sem imprensa, e possivelmente gravada com anuência do ex-ministro – e alguém divulgá-las – demonstra que o general, mais do que um desabafo, emitiu recados com destinatário certo.

O mais contundente refere-se às pressões políticas no Ministério. “Senhores, é fundamental nós termos médicos no Ministério da Saúde, é fundamental ter ter um ministro médico no Ministério da Saúde, mas nós não podemos esquecer, o ministério da Saúde é o foco, é o alvo das pressão políticas”, disse.

Por causa do dinheiro que é destinado aqui de forma discricionária! Então, a operação de grana com fins políticos acontece aqui. Nós conseguimos acabar com 100%, claro que não! Não vou dizer isso que é impossível! Dizer que 100%, nem Jesus Cristo! Nós acabamos com muito. Nós distribuimos numa pequena porrada, quase 14 bilhões de reais com critérios técnicos para atender municípios que estavam sendo impactados”

Como é um general o Exército da ativa, Pazuello não deve ter, a priori, tomado a iniciativa de fazer as declarações ou permitir sua divulgação sem o consentimento das Forças Armadas.

Por essa linha de raciocínio, o ex-ministro deu um recado à corrupção, ao centrão (grupo político que ampliou influência no governo federal) e ao próprio presidente Jair Bolsonaro.

A saída de Pazuello também foi prevista pelo Jornal Diário do Povo semanas atrás. Resta saber se o Exército, agora, também desembarga do sonho patriótico que virou tragédia política.

Assista aos vídeos divulgados pela CNN Brasil


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