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Política

Eleição 2022: como a possível candidatura de Lula pode afetar a política no Piauí?

Cenário com Lula pode colocar em xeque apoios de políticos piauienses a Bolsonaro

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A notícia foi recebida com festa no coração do Partido dos Trabalhadores. As principais lideranças da sigla no Piauí, entre elas, Wellington Dias, Rejane Dias, Regina Sousa, Merlong Solano manifestaram o apoio já esperado ao ex-presidente Lula. Supresa foi a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que devolveu a Lula seus direitos políticos perdidos após as condenações proferidas pelo ex-juíz Sérgio Moro.

“Uma vergonha o que fizeram com o líder mais popular da história do Brasil, aquele que fez pelos mais pobres. É uma decisão que lava a alma não só do Lula, mas de todos que desejam que prevaleça a constituição.”

Wellington dias, no twitter, sobre anulação das condenações do ex-presidente lula

Na prática, Fachin colocou Lula como possível candidato à Presidência da República em 2022, com possibilidade de enfrentar o principal algoz do PT: Jair Bolsonaro. Todos os cenários políticos são afetados pela decisão.

No Piauí, o impacto não foi diferente dos outros estados. A possível candidatura de Lula é favorável para os petistas pré-candidatos em 2022. Lula é, sem dúvida, uma figura popular no Nordeste. Vitimizado após a anulação das condenações no âmbito da operação Lava Jato, mesmo que tenha sido por questões processuais e não pelo mérito da inocência nos casos, o líder petista entra turbinado numa disputa polarizada.

A militância petista ganhou gás, a exemplo do ator José de Abreu, famoso apoiador do ex-presidente. Ele abriu um Chandon num vídeo ao som do jingle da campanha presidencial de Lula de 1989. “Lula lá, brilha uma estrela”, diz o refrão.

A vice-govenadora do Piauí foi mais comedida. Regina Sousa, companheira partidária de décadas do ex-presidente, postou em sua conta oficial do Twitter uma imagem estilizada de Lula que relembra os primórdios de sua jornada política. Ainda de barbas e cabelos pretos, hoje mais ralos e envelhecidos pelo tempo e as preocupações inerentes de uma vida partidária que começou em 1980 com a fundação do PT.

A estrela de Lula pode até não brilhar tanto como antes depois das nuvens que pairaram sobre o céu petista nos últimos 7 anos em seguidas operações da Lava Jato envolvendo o PT. Mas no céu da esquerda, ainda é a única que pode ser vista.

Pesquisa mostra Lula com maior potencial de votos que Bolsonaro

Uma pesquisa feita entre os dias 19 e 23 de fevereiro e publicada no dia 2 de março, portanto, antes das notícias sobre a anulação de suas condenações, Lula aparece, segundo o Instituto em Pesquisa e Conhecimento – IPEC, como o menos rejeitado e com maior potencial de voto entre os presidenciáveis de 2002. No levantamento, 50% dos entrevistados disseram que poderiam votar em Lula para presidente. Bolsonaro aparece com 38%.


Após decisão de Fachin, Bolsonaro pode enfrentar Lula em 2022 | Foto Marcos Corrêa | PR

Ranking de Potencial de Voto – Pesquisa IPEC

CandidatoPotencial de Voto
Lula50%
Bolsonaro38%
Sérgio Moro31%
Luciano Huck28%
Fernando Haddad27%
Ciro Gomes25%
Marina Silva21%
Mandetta15%
João Doria15%
Gilherme Boulos10%
*Pesquisa não reflete intenção de voto, mas potencial de voto – Eleitor foi perguntado se poderia votar no candidato

Bolsonaro encontra mais apoio entre evangélicos (53% de potencial de voto), moradores da região Sul (46%) e na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos (45%).

Os mais rejeitados entre os presidenciáveis

CandidatoRejeição
Marina Silva59%
Luciano Huck57%
João Dória57%
Luciano Huck28%
Bolsonaro56%
Ciro Gomes53%
Fernando Haddad52%
Sérgio Moro50%
Lula44%
*Na rejeição, o entrevistado é perguntado em qual dos pré-candidatos não votaria de jeito nenhum

A rejeição do petista nessa pesquisa é de 44%. Quanto a Bolsonaro, 56% dos entrevistados disseram que não votarial no atual presidente. Todos os outros foram rejeitados pela maioria dos eleitores pesquisados, com excessão de Sérgio Moro, cuja percentual de rejeição ficou em 50%.

O IPEC é o novo instituto de Mácia Cavallari, ex-diretora do IBOPE, ela comandou o instituto mais conhecido no Brasil por 10 anos.

“O eleitor reflete sobre determinado candidato e responde se com certeza votaria nele, se poderia vir a votar, se não votaria de jeito nenhum ou ainda se não o conhece o suficiente para poder opinar”

Márcia Cavallari, em análise publica no Estadão.

Segundo ela, Bolsonaro e Lula apresentam rejeições mais altas em camadas sociais distintas – Lula tem rejeição mais forte entre homens, eleitores de 45 a 54 anos, residentes no Sul e no Sudeste, aqueles com nível superior e os que têm renda mais alta, já Bolsonaro atinge maiores índices de rejeição entre mulheres, jovens de 16 a 24 anos, pessoas com nível superior, residentes na região Nordeste e entre os que têm renda mais baixa.

O IPEC ouviu 2002 pessoas em 143 municípios entre os dias 19 e 23 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Candidatura de Lula impulsiona Rafael Fonteles e tira políticos da zona de conforto

Como demonstrou a pesquisa do IPEC, Lula é forte entre o perfil da maioria do eleitorado piauiense e Bolsonaro mais fraco (mulheres, jovens, renda baixa). Se o ex-presidente for candidato em 2022, ajudara em tornar mais conhecido o pré-candidato a governador dos sonhos de Wellinton Dias: Rafael Fonteles.

Ainda desconhecido, Fonteles teria em Lula um forte cabo eleitoral. Do outro lado, Bolsonaro estariam em tese, com um candidato ligado ao senador Ciro Nogueira, seu aliado de segunda hora. Um palanque pouco palatável para a população piauiense que representa a maioria dos eleitores do estado.


Ao lado de Lula, Rafael Fonteles ganharia popularidade | Foto: Regis Falcão

Prever o que acontecerá na disputa eleitoral de 2022 é tarefa difícil. Fácil é prever que se Lula crescer nas pesquisas, Bolsonaro pode ter dificuldade em manter seus aliados no Piauí.

Os principais políticos que dão sustentação ao governo federal no estado – e ocupam, com indicações, os cargos federais – são ou já foram aliados do PT. Além de Ciro Nogueira, atualmente rompido, o também senador Elmano Férrer foi eleito no palanque de Dilma Rousseff em 2010. Na Câmara Federal há exemplo mais complexos e atuais.

Com cargos no governo federal e no de Wellington Dias, como ficaria Júlio César em 2022, com Lula ou Bolsonaro?

Um pé lá e outro cá

Até agora, a posição de alguns parlamentares não tem sido um problema nas relações políticas. É o caso do deputado federal Júlio César Lima, do PSD. De autarquias federais a secretarias estaduais, Júlio mantém indicados nos governos Bolsonaro e Wellington Dias.

Ele é um dos políticos piauienses que vê o tempo se esgotar para tomar a decisão sobre qual lado vai apoiar em 2022. Apesar das declarações públicas de apoio ao presidente, até agora, somente o senador Ciro Nogueira(PP) assumiu uma postura de oposição a Jair Bolsonaro, mas até ele ainda tem correligionários ainda com cargos no Palácio do Karnak.

Ciro Nogueira foi o único político do Piauí com cargos federais a romper abertamente com o PT no estado

Sobre o assunto, o presidente estadual da sigla, deputado Júlio Arcoverde fez declarações recentes, há cerca de um mês.

“A cúpula do partido não tem relação nenhuma com o Governo do Estado. Isso a população pode ter certeza. Há um rompimento formal entre o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira,  e jamais vamos ficar no mesmo palanque em 2022. Com relação aos deputados, vamos conversar até junho.”

Júlio arcoverde, sobre relação do progressitas com o governo wellington dias

A grande pergunta é: se Lula viabilizar sua candidatura, esses políticos abandonariam o projeto de reeleição de Bolsonaro? Para alguns, melhor ficar vermelho uma hora do que amarelo a vida inteira.

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