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Editorial

Todos querem Sarney

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Aos 91 anos de idade, o ex-presidente José Sarney (MDB) mantém sua força política. Na última quarta-feira(28.04), o presidente da República teve um encontro com o político, a pedido do próprio Bolsonaro. Os dois conversaram sozinhos – sem assessores. Jair Bolsonaro (sem partido) aposta no poder de articulação de Sarney dentro do MDB para controlar Renan Calheiros na CPI da Pandemia.

O ex-presidente da República não disputa uma eleição desde 2015, quando se aposentou da vida pública, mas não da intensa vida dos bastidores políticos. Outro encontro foi marcado com ele, desta vez pelo ex-presidente Lula(PT). O petista está em Brasília para encontrar Sarney. A conversa deve girar sobre as eleições de 2022 e o MDB.

A força do partido interessa aos dois lados da moeda: Lula e Bolsonaro. A sigla elegeu o maior número de prefeitos das capitais. Foram cinco, incluindo Teresina. Tem a quinta maior bancada federal e o maior número de senadores, 15 no total.

De tão grande, o partido é dividido e nem sempre segue unido em torno de um único objetivo.

O maior colégio eleitoral de José Sarney está nas mãos do governador Flávio Dino. Lá, o MDB elegeu, diretamente, apenas sete prefeitos. Regionalmente, o poder da família Sarney é ofuscado por Flávio Dino – aliado de Lula.

É aqui que Bolsonaro entra e oferece a maior vantagem. O presidente da República mantém um discurso de oposição a vários governadores, Flávio Dino (PCdoB) está na lista. A popularidade de Jair Bolsonaro pode contribuir para um retorno da família Sarney ao poder no Maranhão. O que Bolsonaro pode oferecer a Sarney no Maranhão? Um embate com Flávio Dino com o seu apoio.

Dino é um aliado do PT. A aproximação de Lula e Sarney gera um desconforto ao comunista. O que Lula teria a oferecer para a José Sarney no Maranhão? Em tese, nada. Mas a política sempre surpreende. Virtualmente, o ex-presidente conseguiria unir a família Sarney a Flávio Dino. Não há uma terceira via construída no estado e Flávio não pode concorrer à reeleição porque já está no segundo mandato.

“Para vencer Bolsonaro, a esquerda deve se unir ao centro”, disse Flávio Dino em entrevista no dia 28 de março. 

Lula já montou palanque com Roseana Sarney, filha do ex-presidente, no passado. Para repetir o feito e agora colocar Dino na mesma foto, basta o MDB virar Centro. E na verdade, ele é.

Ao longo da sua história, o partido cravou na identidade o carimbo de um partido de Centro. Foi oposição aos militares durante o Regime, mas emplacou Sarney (que teve origem política na Arena) na chapa de Tancredo Neves. Na década o MDB tinha em seus quadros nomes como o de Teotônio Vilela e Ulysses Guimarães. Anos antes, o partido havia sobrevivido como uma alternativa aos militares da ARENA no período do bipartidarismo, um sinal de que no DNA do MDB pode haver muita coisa, menos o extremismo.

Na reunião entre José Sarney e Luís Inácio Lula da Silva podem começar articulações com reflexo na política de vários estados brasileiros, em especial no Nordeste. O Piauí tem um lugar especial nessas conversas. Lula precisa do MDB, Wellington Dias também.

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