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Editorial

Procura-se um candidato a presidente

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Com o surgimento do nome do senador Tasso Jereissati para disputar as eleições de 2022 representando o centro da política brasileira, fica evidente que as lideranças dos partidos ainda não encontraram o nome certo para o desafio de derrotar Jair Bolsonaro. 

O presidente mantém um patamar de 30% de apoio no momento mais crítico de seu governo com a economia em grande dificuldade e a pandemia fora de controle. É preciso fazer uma imersão na sociedade brasileira e entender o que verdadeiramente Bolsonaro representa para esses milhões de eleitores que o apoiam. Que tipo de liderança o presidente exerce e sobre qual estrato da sociedade? 

Quando analisamos o atual cenário político e seus atores, concluímos que a política nacional perdeu o seu valor a partir do definhar de nomes com a hombridade necessária para estabelecer as grandes discussões em torno do desenvolvimento do país, o enfrentamento do processo de desindustrialização. Ninguém se apresenta com um projeto de nação verdadeiro baseado no conhecimento e na própria liderança.

Os grandes nomes da política morreram, envelheceram ou sucumbiram ao fisiologismo que tomou conta não apenas do Palácio do Planalto, mas de todos os outros palacetes pelo Brasil.

O nível das câmaras municipais e das assembleias legislativas refletem essa escassez da qualidade dos políticos brasileiros. Elegemos mal e a cada eleição pior ainda. 

O resultado da renovação política de 2018 foi um fracasso. Assistimos um time de alienados e puxa-sacos ascender aos cargos de deputados estaduais e federais em todo o país. Como resultado, vivemos hoje num país sem controle, fiscalização, projetos ou discussões coerentes que levem a algum lugar. 

Não há outro caminho senão olhar para o passado em busca do nome de alguém aprovado anteriormente. Daí a tentativa do PSDB e de alguns aliados de convencerem o senador cearense Tasso Jereissati de assumir essa difícil missão.

Mas num país onde cogita-se lançar o humorista Danilo Gentili como candidato à Presidência da República, a missão de Tasso Jereissati mostra-se difícil não apenas para ele, mas para todos que têm consciência da realidade brasileira. Perdemos a capacidade de formar lideranças ao ponto de o próprio povo não conseguir mais reconhecer os atributos necessários para se alcançar a Presidência da República.

Perdemos algo no caminho enquanto sociedade. Perdemos o sentimento, a empatia, alguns já perderam a razão e muitos estão a caminho de perder a esperança. Quando se olha para o passado em busca de um futuro melhor é sinal de que as coisas vão de mal a pior.

Mas talvez, fazer o caminho de volta seja a única forma de encontrarmos uma saída para este que é o mais grave de todos os problemas. Enquanto não tivermos a capacidade de formar grandes líderes que carreguem os valores necessários para conduzir o Brasil, continuaremos neste círculo vicioso de polarização eleitoral com base em ideologias superadas e teorias conspiratórias.

Temos pouco mais de um ano para escolher um novo ou manter o atual presidente. Um curto espaço de tempo para uma sociedade que errou tanto e em todas as eleicões presidenciais. 

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Editorial

90 dias de julgamento

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As últimas declarações do presidente Bolsonaro sobre o vírus e a questão do uso da cloroquina como tratamento precoce contra a covid-19 evidenciam que o Planalto continua numa linha de comunicação de separar o país entre quem apoia ou não o presidente da República.

O sistema binário de posições tem funcionado, politicamente, para Jair Bolsonaro (sem partido). Essa estratégia, do zero ou um, na construção de um raciocínio lógico, tem evitado o nascimento de uma terceira via no Brasil.

Em cada declaração, o presidente consegue substituir a pauta de 2018 – o anti-pt e a anticorrupção – por uma discussão de opiniões onde estão os opostos no ringue os que são contra ou a favor do uso da hidroxicloroquina e das medidas de distanciamento social. Está dando certo. Cada vez mais o país está dividido.

Mas, para ter êxito no seu discurso político, onde ontem ele incluiu a China como protagonista, sendo o pano de fundo do enfrentamento ao comunismo – presente no imaginário popular de pelo menos 30% dos eleitores brasileiros, todos, apoiadores do presidente – o presidente Bolsonaro precisa contar com um fator: o governo precisa vencer a retórica da CPI da Pandemia no Senado. Até agora, não está fácil.

Os depoimentos das testemunhas, até agora três, dois ex-ministros, Henrique Mandetta e Nelson Teich, e um atual, Marcelo Queiroga, colocam mais areia na engrenagem que faz a opinião pública pensar – isso corresponde aos outros 70% da população, dos quais Bolsonaro precisa de pelo menos 21% para vencer a eleição em 2022.

Até agora, os governistas ficaram presos à questão do uso da cloroquina, enquanto senadores de oposição passeiam sobre outros temas atrelados à própria personalidade do presidente da República e como ele se comporta em público. A orientação do Planalto para a defesa na CPI está voltada apenas a atender aos anseios de seu eleitorado. Esquecem os especialistas em gerenciamento de crise que orientam o governo que os espectadores da CPI da Pandemia, seja ao vivo na transmissão da TV Senado reverberada por canais pagos como a GloboNews e CNN Brasil, ou depois dos cortes nos telejornais das emissoras abertas, ou mesmo nas edições produzidas por opositores que varrem as redes sociais, o discurso atinge bem mais do que os tais 30% de eleitores brasileiros.

Na primeira semana de CPI, o governo perdeu as batalhas em praticamente todos os dias. Se Teich foi, de certa forma, uma decepção para a oposição, Marcelo Queiroga, o atual ministro da Saúde, foi, em grande parte, uma decepção para o governo. Apesar de estar há pouco tempo à frente do Ministério, caiu em contradições básicas relacionadas à sua própria profissão, e isso foi muito bem explorado pelos senadores de oposição que são médicos, assim como Queiroga.

De todos os ministros que já passaram pela pasta, Marcelo Queiroga tem o maior de todos os desafios: ele está no meio de duas guerras, contra o vírus e contra a política eleitoral. Nas duas, conta com o mesmo exército.

Para muitos que analisaram seu depoimento, o ministro omitiu-se em uma defesa contundente sobre as ações do presidente durante a pandemia. O Planalto deve lembrar que na CPI já ocorre um julgamento por parte da sociedade. E ele dura 90 dias.

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Todos querem Sarney

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Aos 91 anos de idade, o ex-presidente José Sarney (MDB) mantém sua força política. Na última quarta-feira(28.04), o presidente da República teve um encontro com o político, a pedido do próprio Bolsonaro. Os dois conversaram sozinhos – sem assessores. Jair Bolsonaro (sem partido) aposta no poder de articulação de Sarney dentro do MDB para controlar Renan Calheiros na CPI da Pandemia.

O ex-presidente da República não disputa uma eleição desde 2015, quando se aposentou da vida pública, mas não da intensa vida dos bastidores políticos. Outro encontro foi marcado com ele, desta vez pelo ex-presidente Lula(PT). O petista está em Brasília para encontrar Sarney. A conversa deve girar sobre as eleições de 2022 e o MDB.

A força do partido interessa aos dois lados da moeda: Lula e Bolsonaro. A sigla elegeu o maior número de prefeitos das capitais. Foram cinco, incluindo Teresina. Tem a quinta maior bancada federal e o maior número de senadores, 15 no total.

De tão grande, o partido é dividido e nem sempre segue unido em torno de um único objetivo.

O maior colégio eleitoral de José Sarney está nas mãos do governador Flávio Dino. Lá, o MDB elegeu, diretamente, apenas sete prefeitos. Regionalmente, o poder da família Sarney é ofuscado por Flávio Dino – aliado de Lula.

É aqui que Bolsonaro entra e oferece a maior vantagem. O presidente da República mantém um discurso de oposição a vários governadores, Flávio Dino (PCdoB) está na lista. A popularidade de Jair Bolsonaro pode contribuir para um retorno da família Sarney ao poder no Maranhão. O que Bolsonaro pode oferecer a Sarney no Maranhão? Um embate com Flávio Dino com o seu apoio.

Dino é um aliado do PT. A aproximação de Lula e Sarney gera um desconforto ao comunista. O que Lula teria a oferecer para a José Sarney no Maranhão? Em tese, nada. Mas a política sempre surpreende. Virtualmente, o ex-presidente conseguiria unir a família Sarney a Flávio Dino. Não há uma terceira via construída no estado e Flávio não pode concorrer à reeleição porque já está no segundo mandato.

“Para vencer Bolsonaro, a esquerda deve se unir ao centro”, disse Flávio Dino em entrevista no dia 28 de março. 

Lula já montou palanque com Roseana Sarney, filha do ex-presidente, no passado. Para repetir o feito e agora colocar Dino na mesma foto, basta o MDB virar Centro. E na verdade, ele é.

Ao longo da sua história, o partido cravou na identidade o carimbo de um partido de Centro. Foi oposição aos militares durante o Regime, mas emplacou Sarney (que teve origem política na Arena) na chapa de Tancredo Neves. Na década o MDB tinha em seus quadros nomes como o de Teotônio Vilela e Ulysses Guimarães. Anos antes, o partido havia sobrevivido como uma alternativa aos militares da ARENA no período do bipartidarismo, um sinal de que no DNA do MDB pode haver muita coisa, menos o extremismo.

Na reunião entre José Sarney e Luís Inácio Lula da Silva podem começar articulações com reflexo na política de vários estados brasileiros, em especial no Nordeste. O Piauí tem um lugar especial nessas conversas. Lula precisa do MDB, Wellington Dias também.

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