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Editorial

O custo Centrão

Editoral sobre o custo que o apoio do Centrão ao governo Bolsonaro tem custado ao próprio presidente e ao Brasil.

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A aprovação com três meses de atraso do Orçamento 2021 pelo Congresso Nacional evidenciou problemas da política brasileira que apenas observadores mais atentos da política nacional percebem há tempos, mas que passam desapercebidos pela maioria da população.

Ficou claro, mais uma vez, os erros primários cometidos pelo governo Bolsonaro. O Executivo não considerou o aumento do salário mínimo e o impacto causado na previdência. Por culpa desse erro do governo, que não enviou uma mensagem formal pedindo a recomposição dos gastos devido à desatualização do valor do salário mínimo. A proposta inicial contava com um valor de R$ 1.067 e ele ficou em R$ 1.100.

O governo feederal subestimou despesas, a principal delas, Previdência Social. São R$ 22 bilhões que faltam no Orçamento para o pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios do INSS.

Mesmo assim, o relator do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC) decidiu por conta própria cortar despesas obrigatórias e atingiu em cheio justamente benefício da Previdência. Cancelou R$ 26 bilhões de reais, para redirecionar os recursos aos ministérios, com o objetivo de executar obras, a maioria delas, discricionárias a partir de emendas parlamentares, inclusive dele próprio.

É o custo Centrão, que pode penalizou o Brasil com cortes na saúde, no Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial, auxílios e impactou negativamente até o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familia, PRONAF.

Considerando que estamos no meio de uma pandemia, onde a parcela mais vulnerável da população sofre com problemas econômicos, a medida demonstra a insensibilidade com a qual os políticos enxargam os problemas nacionais. Um quase como “não é comigo”.

Mas se custa caro para o Brasil, pode custar muito para o presidente Jair Bolsonaro. Pode custar sua reeleição.

A medida, apontada como ilegal, como mostra reportagem do Diário do Povo baseada em Nota Técnica de consultores da Câmara Federal, pode fazer o presidente da República incorrer em crime de responsabilidade caso o Tribunal de Contas da União (TCU) venha a reprovar as contas de 2021 do presidente.

Que Bolsonaro fique de olho nas ações do Centrão. Caso contrário, ele corre o risco de ser mais dos dos presidentes descartáveis aos olhos da velha política que ele tanto dizia combater.

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