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Editorial

De qual Bolsonaro vamos lembrar em 2022?

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As redes de televisão foram avisadas de última hora do pronunciamento do presidente da República gravado no início da tarde de ontem (23) e que foi ao ar à noite, poucos minutos antes da imprensa anunciar o pior dia da pandemia de Covid-19 no Brasil.

Jair Bolsonaro falou durante cerca de quatro minutos em cadeia nacional de rádio e televisão.

Muito diferente daquele outro Bolsonaro que, diante dos seus apoiadores, manifestou sempre um pensamento não-científico e um posicionamento anti-liderança sobre a calamidade pública causada pela Covid-19. E por muitas vezes foi grosseiro e insensível ao tratar to tema que aflinge a população.

Bolsonaro tentou apresentar as ações do seu governo para o enfrentamento da doença. Falou que “em nenhum momento o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia”, declarou que “somos o quinto país que mais vacinou no mundo” e disse que a vacinação se deu “graças as ações que tomamos logo no incínio da pandemia” e ainda que “sempre afirmou que adotaria qualquer vacina desde que aprovada pela ANVISA, e assim foi feito”, disse o presidente.

Basta fechar os olhos e relembrar os inúmeros pronunciamentos de Bolsonaro. “País de maricas”, “histeria”, “não sou coveiro” e “estou com covid” rindo em tom de deboche, sem esquercermos do “vai comprar vacina na casa da tua mãe”.

Bolsonaro personifica a instabilidade política que ele mesmo tem criado no Brasil. Seu comportamento oscila para agradar sua platéia e, quando as pesquisas mostram a população desaprovando seu comportamento, muda de postura. Mas cada palavra do presidente desmedida cria cicatrizes na sociedade e torna o Brasil ainda mais dividido.

Temos um presidente da República que demonstra um comportamento político bipolar influenciado pelas circustâncias. E elas são péssimas para o país e para ele. A saúde pública está em colapso, a economia piora a cada dia e as perspectivas de amenizar o problema ainda em 2021 ficam cada vez mais distantes.

Jair Bolsonaro falhou como chefe de governo na liderança e formulação de políticas públicas. E falhou como chefe de Estado na representação da unificação do país, dos ideiais e no exemplo de representante público mais elevado da nação.

O senador Ciro Nogueira disse em entrevista que “ele [Bolsonaro] perdeu a narrativa da vacina. Mas como falei, o Bolsonaro do ano passado tava endeusado. Existe volatilidade. O presidente que vai ser avaliado é o do próximo ano, não é o de hoje.”

Ciro Nogueira pode estar certo. Há um ditado popular que o brasileiro tem memória curta. E é nisso que o centrão aposta: do povo brasileiro esquecer, até a eleição de 2022, o sofrimento que passou desde o ano passado.

Fica a dúvida de qual Bolsonaro o Brasil vai lembrar nas urnas.

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