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Editorial

O Brasil enfrenta seu maior desafio

Pandemia da covid-19 se agrava e testa capacidade social, política e econômica do país

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Não podemos fugir do fato de que o país está próximo de colpaso na saúde. Os números são aterrorizantes. Segundo reportegem do jornal Folha de São Paulo, o governo do maior Estado brasileiro antevém que a partir do dia 15 de março seu sistema de saúde vai colapsar. E há indicativos que o mesmo pode ocorrer em outros estados brasileiros.

Como chegamos a esta situação? Enquanto o mundo reduz as contaminações, o Brasil aumenta o número de contaminados. De quem é a culpa? Não há mais tempo para responder a esta pergunta. Precisamos agir como sociedade civil organizada para evitar mais mortes e consequências incalculáveis para a economia.

Na última terça-feira, numa entrevista para um podcast, o ministro da economia disse que só precisariam de um ano e meio para o Brasil virar uma Venezuela – caso o governado federal e o Congresso Nacional não acelerassem as reformas necessárias para destravar a economia. Logo depois, na mesma entrevista, Guedes disse que exagerou. Era preciso 6 anos, disse ele.

Mas diante de um colpaso próximo no sistema de saúde – caso aconteça – estaremos sob o risco real de termos como consequência um colapso na economia em pouco tempo. Nos tornaríamos uma Venezuela em meses.

A grande pergunta que custa vidas e bilhões de reais é como salvar a economia e as pessoas?

No Piauí, hospitais de campanha foram fechados, até o final do ano, dos mais de 80 leitos clínicos disponibilizados nas tendas ao lado do HUT, menos de 20 estavam ocupados. Pecamos pelo excesso de confiança? Relaxamos? O certo é que agora faltam leitos de UTI enquanto a taxa de ocupação cresce assustadoramente.

No jogo de empurra para saber de quem é a culpa, fecham-se as portas. As autoridades adotaram um mesmo discurso nos últimos dias: endurecer as medicas. Lockdown e toque de recolher talvez sejam anunciados coletivamente por vários governadores. Vem o despespero dos empresários e trabalhadores. A conta não fecha.

Teresina amanheceu sob protestos do setor de restaurantes. Reclamam das multidões em supermercados enquanto seus estabelecimentos estão sob restrição. Eles tem razão. O governo também, ao pedir isolamento social diante da falta de leitos de UTI, mas essa razão do governo é perdia quando lembramos que leitos para tratamento clínico e intensivo foram fechados ou que mais investimentos poderiam ter sido feito. Mas do que adianta reclamar?

Nos próximos dias a nação terá que apelar para a lei e ordem. Para a união. Precisamos evitar uma ruptura social e impedir uma ruptura política em razão da economia.

Em toda a história do Brasil, este, sem dúvida, é o maior desafio que enfrentamos enquanto nação.

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