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Editorial

Sociedade contaminada

Editorial sobre a situação da Covid-19, a variante de Manaus e a desinformação

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Ontem, pesquisadores brasileiros publicaram dois estudos sobre a nova cepa do coronavírus que se originou na cidade de Manaus. Os cientistas foram claros em afirmar que a mutação se deu por uma tentativa do vírus de continuar se dissiminando diantes de uma população que, em tese, já havia criado uma imunização de rebanho. O resultado foi uma explosão de casos em Manaus.

A nova cepa, denominada de P.1 já se espalhou pelo país. A nova variante do vírus foi enconrtrada em 17 estados brasileiros. E não por coincidência, os novos casos de contaminação e óbitos aumentam em todo o Brasil.

No Piauí, os números dos últimos dias não são promissores. Elevaram-se as mortes em consequência da Covid-19 e as taxas de ocupação dos leitos de UTI estão elevadas, principalmente em Teresina. Em alguns hospitais da capital já chega a 100%, como é o caso da ocupação dos leitos de UTI exclusivos para pacientes com Covid-1o no Hospital do Monte Castelo.

Em meio a discussões sobre a necessidade ou não do lockdown, que afeta diretamente os comerciantes e por consequência fragiliza a economia, as mortes acontecem. Hospitais de campanha foram desativados. Secretários de saúde de todo o Brasil afirmam que este é o pior momento da pandemia em nosso território.

Fica o questionamento se essa situação não era previsível, se Manaus não foi exemplo suficiente para o que deve ou não ser feito e para os cenários que poderiam ocorrer. Quando pansávamos que com as vacinas estariamos nos livrando do pesadelo, ele aumenta.

Não é momento, pelo menos agora, de definir quem é o culpado, o que deixou de ser feito, mas sim, de discutir o que pode ser feito.

Nos sentimos, enquanto sociedade, ainda alheios do círculo decisório. O diálogo ainda é pouco. Como pouca são as manifestações públicas de setores além do governamental. Enquanto isso, a desinformação e disputas políticas continuam a ganhar terreno, vencendo a informação e a lógica. Uma mistura venenosa.

Como subproduto de tudo isso assistirmos a formação de uma sociedade cada vez mais divida quando devíamos nos unir para enfrentar os inimigos em comum: o vírus e a crise econômica. A insistência em dividir lados só pode ter como interesse a questão política.

Caminhamos para o quarto mês do ano de 2021 nos contaminando com o vírus, com as disputas e com a pobreza. Para os três só há um remédio: a informação verdadeira. É com ela que nos protegemos do vírus, da desagregação ideológica e do empobrecimento.

Estamos longe do fim, mas podemos estar perto de um começo.

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