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Política

Bolsonaro tem planos ameaçados pela CPI da Covid

A CPI da Covid acontece num momento de fragilidade política do presidente da República. Durante 90 dias, ele deve enfrentar a tempestade perfeita que pode ameçar seus planos de reeleição.

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CPI da Covid-19 atrapalha planos de Bolsonaro para 2022

O termo CPI, sigla para Comissão Parlamentar de Inquérito, é muito conhecido pela maioria dos brasileiros. O Brasil teve pelo menos 11 investigações conduzidas pelo Poder Legislativo que tiraram o sono dos ocupantes do Palácio do Planalto. Todos os ex-presidentes, sem exceção, tentaram evitá-las, tanto pelo desgaste político quanto pelos desdobramentos que uma CPI pode provocar.

“CPI a gente sabe como começa, mas nunca sabe como vai terminar” é uma frase sempre repetida no Congresso Nacional quando o tema vem à tona. No último dia 16, o vice-presidente Hamilton Mourão usou a expressão durante uma entrevista a uma rádio gaúcha. Ele tem razão para temer.

Vice-presidente Hamilton Mourão manifestou preocupação quanto ao futuro da CPI da Covid.
Vice-presidente Hamilton Mourão | Foto: Bruno batistsa /VPR

CPI é uma ameça para presidentes da República

A CPI de PC Farias resultou na renúncia e posterior Impeachment do então presidente Fernando Collor. Na época, o depoimento de um motorista, Eriberto França, incendiou a CPI. Ele afirmou que buscava dinheiro em uma empresa de PC Farias para pagar os funcionários do então presidente e que ele mesmo comprou, com um cheque fantasma, o Fiat Elba usado por Rosane Collor.

Pouco tempo depois, a CPI do Orçamento revelou a existência dos “anões” que se beneficiavam do Orçamento da União. No total, quebrou 395 sigilos bancários, 267 sigilos fiscais, colheu 79 depoimentos em 111 reuniões. A CPI terminou com a proposta de cassação de mandato de 18 parlamentares.

No passado recente, em 2005, tivemos a CPI do Mensalão, com ela, a queda do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e uma série de novas denúncias e escândalos, como o escândalo dos fundos de pensão do Banco do Brasil; o esquema do Plano Safra Legal; a suposta doação de dólares de Cuba para a campanha de Lula; e a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, que derrubou o Antonio Palocci.

Em 2015, a CPI da Petrobras, resultou numa espécie de combustível inicial para a Lava Jato, maior operação de combate à corrupção no país. O ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela PF na Operação Lava Jato, afirmou na CPMI que o esquema de propina não é exclusividade da estatal. “O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas”, disse à época.

O presidente da República não tem conhecimento de tudo que acontece no seu governo, mas tem responsabilidade sobre todo e qualquer fato. Principalmente responsabilidade política. Em condições normais, a instalação de uma CPI já é ameaçadora para quem ocupa o Palácio do Planalto. E o Brasil não vive uma situação normal.

Desde a eleição de 2018, a política brasileira está polarizada. A pandemia jogou mais água na fervura. A disputa se estendeu entre os Poderes e as chefias das unidades federativas. Bolsonaro fez inimigos no judiciário e entre os governadores. Sua proximidade com o Centrão não foi suficiente para barrar a CPI da Covid, e nem garantir a maioria de parlamentares na comissão.

“CPI a gente sabe como começa, mas nunca sabe como vai terminar”

Hamilton mourão

O presidente Jair Bolsonaro é alvo de mais de 100 pedidos de Impeachment. A cada dia ele assiste sua popularidade e aprovação caírem pelo mesmo motivo da CPI: o fracasso no combate à pandemia.

Mais desgastes são esperados para os próximos 90 dias, tempo normal de duração da CPI que deve começar os trabalhos de investigação ainda nesta semana. Ex-ministros, técnicos da Saúde serão convocados, e a Comissão vai analisar investigações iniciadas no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Federal (MPF). Bolsonaro tem todos os motivos para ficar de mau humor.

A CPI deve ter um tom de disputa eleitoral com sua a maioria formada por parlamentares de oposição ao governo. A conduta de Bolsonaro e seu governo no enfrentamento à Covid-19 no Brasil será o foco principal. O desestímulo ao distanciamento social e o uso de máscaras de proteção facial, as aglomerações e o incentivo ao uso de medicamentos sem comprovação de eficácia e a rejeição inicial à compra de vacinas. O caso Manaus, a situação dos kits de intubação. 

Bolsonaro teme CPI pelo desgaste político

A tempestade perfeita se forma no céu de Brasília. Nos próximos dias, num país onde mais de 370 mil pessoas morreram vítimas de Covid-19 e outros milhões sofrem as consequências de uma economia fragilizada, é natural um desgaste ainda maior do presidente Bolsonaro, há pouco mais de um ano da eleição.

Na última pesquisa do Poder360, num confronto entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece com 52% das intenções de voto contra 34%. Há um mês era 42 a 36%. No levantamento, Bolsonaro também perde para Luciano Huck (48 a 35) e empata com todos os outros pré-candidatos.

Há uma outra questão envolvida: a capacidade de Jair Bolsonaro em reagir as pressões causadas pela CPI. O presidente não reage bem ao ver seus interesses contrariados.  “Só Deus me tira da cadeira presidencial. E me tira, obviamente, tirando a minha vida. Fora isso, o que estamos vendo no Brasil não vai se concretizar. Não vai mesmo! Não vai mesmo!”, disse Bolsonaro na última quinta-feira (15.04). 

O presidente teme um novo pedido de Impeachment originário da CPI da Covid. Será uma guerra de 90 dias entre a situação e oposição travada na imprensa e nos corredores do Congresso.

Governo Bolsonaro tenta impedir que Renan Calheiros seja o relator da CPI da Covid no Senado
Brasília – Senador Renan Calheiros durante sessão que aprovou Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos do Mercosul (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB) é um dos críticos mais ferrenhos de governo. Desde que Bolsonaro assumiu o poder, Calheiros tem mantido  uma posição de opositor. 

No episódio em que o também senador Kajuru divulgou áudios de uma conversa telefônica gravada com o presidente Jair Bolsonaro, Renan afirmou que  o fato foi a uma tentativa de interferência em outro poder e reforçou a necessidade da CPI. 

“Os diálogos entre o presidente da república e o senador Kajuru, além de um clara tentativa de interferir em outros poderes, é mais um indicador de que precisamos abrir a CPI.”

Renan calheiros

Apenas uma melhora na economia traria paz para Bolsonaro até a eleição, fato praticamente impossível. Resta ao presidente tentar manter a calma diante da tempestade que se forma para encontrar uma saída.  Mas calma é uma das características que falta a Jair Bolsonaro. Até agora. 

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Fábio Wajngarten: o homem que pode eximir Bolsonaro ou condená-lo na CPI

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Fábio Wajngarten depõe na CPI da Covid nesta quarta-feira(11)
Fábio Wajngarten | Foto Marcelo Camargo/Ag. Brasil
Sobre os ombros do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, advogado Fábio Wajngarten, pesa a responsabilidade de mudar os rumos da CPI da Covid no Senado Federal. Na primeira semana dos trabalhos da comissão, o governo Bolsonaro saiu derrotado em praticamente todos os depoimentos. Marcado para esta quarta-feira(12), o testemunho de Fábio Wajngarten pode […]
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Política

Wellington Dias trata sobre imunização em massa com Anvisa, governadores e senadores

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Wellington Dias trata sobre imunização em massa com Anvisa, governadores e senadores
Reunião com Anvisa, governadores e senadores. Foto: Jorge Bastos

O presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Wellington Dias, reuniu-se, virtualmente, nesta segunda-feira (10), com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Comissão Temporária da Covid-19 e com governadores. Em pauta, as dificuldades enfrentadas pelos estados, o estágio da pandemia, o progresso do cronograma de vacinação e a compra de vacinas de maneira descentralizada por estados e municípios.

Wellington Dias pretende buscar junto ao Governo Federal a celeridade na imunização da população e manter o fomento da economia nacional. “Agradeço a abertura do diálogo com a Anvisa e faço um apelo para que possamos alcançar cerca de 100 milhões de doses de vacina para que o Brasil tenha condições de imunização em massa, pelo menos, até agosto deste ano, como vai ocorrer com os países mais desenvolvidos. Queremos garantir variadas vacinas e produção de IFA pelo Butantan, União Química e Fiocruz. Precisamos evitar uma terceira onda da Covid-19”, afirmou o governador.

Na reunião, alguns pontos destacados foram: a situação atual dos leitos de UTI e oxigênio medicinal; programa de testagem da população nos estados e municípios; compra e fabricação de vacinas; retorno das aulas presenciais; isolamento social e medidas restritivas.

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