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Dogecoin: o meme que virou US$ 50 bilhões

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Existem aqueles que criam os memes, aqueles que compartilham os memes, aqueles que explicam os memes (olha nóis!) e aqueles que levantam milhões de dólares com os memes (daqui a pouco é nóis!). De certa forma, os dois entrevistados do Ghost Interview de hoje são um pouco de tudo. Billy Markus e Jackson Palmer, mais conhecidos como “os criadores da Dogecoin”, a criptomoeda que teve valorização de mais de 8.000% neste ano e chegou a um ativo total de US$ 50 bilhões.

A Dogecoin é uma criptomoeda peer-to-peer que nasceu lá em 2013 como uma homenagem ao meme do cachorrinho shiba desconfiado (o Doge!). A ideia era mesmo ser uma moeda de brincadeira, apenas usada para transação e podendo ser minerada por quem quisesse (ou seja, sem um número máximo de coins que podem circular), até o preço era simbólico: um centavo de dólar. Mas aí o Reddit aconteceu. E o Reddit, como bem sabemos, tem o poder de juntar os investidores amadores em ondas de compra e venda de ativos. Os usuários da rede passaram a usar a Dogecoin para pequenas transações e, em pouco tempo, ela virou um hit. Em 2015 mesmo, Markus e Palmer acabaram saindo do projeto da Dogecoin, deixando-a por conta dos usuários. Aí corta para o final de 2020, quando um outro queridinho dos investidores amadores e das criptomoedas, Elon Musk, começou a falar da Doge em seu Twitter; incentivando ora a compra, ora a venda do ativo. O resultado foi o número que falamos lá em cima e também a total perplexidade de Markus e Palmer:


Jackson, por que você começou a Dogecoin em 2013? E o que levou você a se juntar com o Billy, que mora do outro lado do mundo, para criá-la?

Jackson Palmer: Naquela época, havia uma corrida do ouro na criptomoeda, e eu vinha monitorando isso até certo ponto. E eu sabia que estava fervendo quando as pessoas no trabalho começaram a falar sobre isso. E então fui e investiguei, e percebi que havia muito mais do que apenas a bitcoin, descobri as chamadas altcoins ou moedas alternativas chegando ao mercado, você sabe, qualquer moeda, como Litecoin, Feathercoin.

Eu tinha voltado para casa durante o dia e, em um tipo de tradição australiana, você sabe, abri uma cerveja. E abri uma guia do navegador com este artigo sobre o doge. E bem ao lado dele, eu tinha o CoinMarketCap, que é um site muito popular para verificar as avaliações de criptomoedas, então os nomes de guia meio que se juntaram para mim de certa forma. E eu pensei, Dogecoin; isso é hilário. E então, só como uma piada, eu twittei sobre no final de novembro de 2013 que eu iria investir no Dogecoin porque eu pensei que seria o próximo grande sucesso. Era para ser uma piada!

(Entrevista ao podcast The Indicator from Planet Money publicado em 9 de fevereiro de 2021)

Qual foi o caminho do tweet para o lançamento da doge?!

Jackson Palmer: Algumas pessoas gostaram do tweet e ele foi compartilhado em alguns chats sobre o criptomoedas no IRC. Eu sou uma dessas pessoas que, quando tem a ideia, vou lá comprar o domínio desse nome. Eu tenho muitos domínios por causa disso. Ou seja, comprei o dogecoin.com. Nesse meio tempo, eu criei a imagem da Dogecoin no Photoshop, era para ser uma piada com o meme e também com a galera que só falava de bitcoin. A imagem também foi compartilhada e chegou ao Billy [Markus], que veio falar comigo via Twitter, perguntando se não podia mudar a fonte da imagem para Comic Sans. Eu mudei, e ele continuou conversando comigo. Comentou que deveríamos criar a criptomoeda. E foi essa a espiral.

Do tweet original à Dogecoin foram seis dias de diferença.

(Entrevista ao podcast Epicenter, publicada em 27 de março de 2019)

Agora, Billy, queremos a sua versão da história…

Billy Markus: Quando entrei no espaço da criptomoeda em 2013, achei fascinante. Havia tantas moedas e todas eram ligeiramente diferentes, mas todas se vendiam como se fossem superiores e como se fossem se tornar a moeda do novo mundo.

Eu aprendi a criar uma moeda sozinho em um fim de semana e quando vi o site dogecoin de Jackson Palmer vinculado a um canal IRC [Internet Relay Chat], achei a ideia genial – uma paródia de todas as novas moedas excessivamente sérias que continuavam saindo que eram apenas clones umas das outras.

Eu juntei e coloquei alguns parâmetros que achei ridículos na época, e lançamos sem pensar muito. Claro, o destino adora ironia e apesar, ou por causa do absurdo inerente, a Dogecoin pegou com as pessoas instantaneamente e cresceu incrivelmente rápido.

A moeda foi feita em 3 horas! [Sim, mais rápido do que fazemos essa news… :/]

(Entrevista à revista Newsweek em 3 de abril de 2021)

A ironia aqui está em alguns pontos, mas principalmente no crescimento da Doge dentro do próprio mundo cripto. Vocês chegaram a comprar a moeda no começo?

Jackson Palmer: Não. Não comprei na época, porque sabe quando você faz uma piada? Então, você não pensa exatamente em monetizar essa piada, sabe?

(Entrevista ao podcast The Indicator from Planet Money publicado em 9 de fevereiro de 2021)

Billy Markus: Eu comprei, mas vendi todas as minhas Doge em 2015, depois de eu ter sido despedido do meu trabalho e ficar desesperado por dinheiro. No total, eu levantei grana para comprar um Honda Civic usado.

(Publicado na conta pessoal de Billy Markus do Twitter em 30 de janeiro de 2021)

A que vocês atribuem o sucesso da Dogecoin e há alguma surpresa no crescimento?

Billy Markus: Eu me surpreendo e me divirto constantemente com todo o trabalho que as pessoas fazem para apoiar a moeda, seja fazendo jogos, todos os memes divertidos que as pessoas fazem, os outdoors e, especialmente, os serviços que as pessoas estão trabalhando duro para fornecer.

A Dogecoin mostra o poder da marca e realmente o poder dos memes, então de certa forma não estou surpreso com sua longevidade. Os parâmetros da moeda permitem que ela dure basicamente para sempre e fique relativamente segura para transações, e eu acho que o doge é de alguma forma um meme que nunca envelhece. As pessoas vão adorar cães para sempre. E shiba inus serão adoráveis sempre.

(Entrevista à revista Newsweek em 3 de abril de 2021)

Jackson Palmer: A Dogecoin foi uma viralidade real. Ela ganhou uma mente e uma forma própria.

(Entrevista ao The Sydney Morning Herald em 24 de janeiro de 2014 )

Existe um ponto super legal da comunidade que se formou em volta da Dogecoin. Lá em 2014 o pessoal se juntou para levantar dinheiro para o time jamaicano ir para as Olimpíadas! Mas existe um lado negativo de algo se tornar viral, o que vocês passaram com essa popularidade?

Billy Markus: Eu saí do projeto há mais de sete anos por causa do assédio da comunidade.

(Publicado na conta pessoal de Billy Markus do Twitter em 30 de janeiro de 2021)

Jackson Palmer: Sempre que você está em um projeto que está dando certo ou está em uma comunidade de sucesso como essa e há um elemento financeiro nele, é como sangue na água. Os tubarões conseguem sentir cheiro a quilômetros de distância.

Começaram a aparecer pessoas que faziam outras investir em Dogecoin como se fosse o mais novo negócio de cripto. E foi aí que eu vi que a festa tinha acabado. Pessoas perderam muito dinheiro. Como eu poderia estar associado a pessoas perdendo toda aquela quantidade de dinheiro? No final de 2014, eu estava meio que – eu desisti. E em 2015, eu estava completamente fora do Dogecoin.

(Entrevista ao podcast The Indicator from Planet Money publicado em 9 de fevereiro de 2021)

Um dos principais incentivadores da Doge tem sido Elon Musk, o que você acha sobre isso, Billy?

Billy Markus: Agradeço que Elon Musk apoie a Dogecoin e esteja se divertindo com isso – é isso que eu espero que seja a atitude de qualquer pessoa que queira se envolver em uma moeda meme. Acho que seria muito legal se ele literalmente enviasse a Dogecoin para a lua em um de seus foguetes, ou se uma de suas empresas permitisse compras de produtos usando dogecoin! Acho que ter um aliado como Elon Musk é incrível, honestamente.

Ele poderia levar algo ‘figurativamente literal’ para a Lua, como uma imagem de dogecoin, uma bandeira com dogecoin, um token físico representando dogecoin, uma imagem de um meme relacionado a dogecoin ou um adesivo de dogecoin colado em alguma coisa. [Ou algo assim.] mais literal, como um drive USB com uma carteira dogecoin ou um computador executando dogecoin, seria legal!

(Entrevista à revista Newsweek em 3 de abril de 2021)

Agora, falando em grana, o que você acha da Doge, que começou valendo poucos centavos, agora estar próxima de valer US$ 1?

Billy Markus: A ideia de Dogecoin valer 8 centavos é o mesmo que GameStop valer US$ 325: não faz sentido. É super absurdo. E o design e o conceito da moeda eram absurdos e eram para ser absurdos.

(Entrevista ao blog do WSJ em 1 de fevereiro de 2021)

E ainda tem a galera comentando que a Doge vale mais do que empresas grandes, qual a sua opinião sobre isso, Billy?

Billy Markus: As pessoas estão falando que a Dogecoin vai para US$ 1 – isso tornaria a “capitalização de mercado” maior do que as empresas reais que prestam serviços a milhões, como Boeing, Starbucks, American Express, IBM. Dogecoin merece isso? Isso não é algo que posso compreender, muito menos responder.

Novamente, não tenho nenhuma palavra a dizer sobre isso, e todos têm o direito de avaliar a moeda da maneira que desejarem – é apenas meu desejo, como o criador original, que Dogecoin e a comunidade Dogecoin possam ser uma força para o bem. E não quero dizer que de alguma forma hipócrita, em que a única coisa de valor é doar para caridade ou ajudar diretamente os outros – qualquer coisa que seja divertida ou também tenha valor. O valor fiduciário do Dogecoin é literalmente tudo o que outra pessoa está disposta a pagar por ele a qualquer momento, e o valor intrínseco é algo que jamais serei capaz de definir, então, quando falo sobre valor, não estou falando sobre essas coisas. Estou falando sobre “True Value”, que eu definiria como as coisas positivas que o Dogecoin traz para o mundo.

Bomba e despejo, ganância desenfreada, golpes, atores de má-fé, cobrando dos outros, exagero sem pesquisa, tirando vantagem dos outros – tudo isso é inútil. Pior do que inútil, honestamente, trazendo mais negatividade para um mundo já difícil. Como criador, alguns me chamam de “mãe doge”, então digo isso com aquela máscara – quando vejo coisas assim – e tenho visto muito nos últimos 7 anos – não estou bravo, apenas desapontado .

(Carta aberta de Billy Markus publicada no Reddit em 12 de fevereiro de 2021)

A última pergunta é mais para pensar sobre como os desenvolvedores estão vendo a Dogecoin, tem um pessoal focando em investir na moeda…. Qual a sua dica para eles, Jackson?

Jackson Palmer: Os desenvolvedores precisam pensar mais na tecnologia e menos nas moedas em si. A razão é que tendo a pensar nesses tokens e criptomoedas como empresas. Assim como nos primeiros dias da Internet, essas empresas são superadas por pessoas que entenderam o conceito e a tecnologia que aquelas empresas apresentavam e criaram um produto melhor.

Não tenho dúvidas de que a criptomoeda é como Bitcoin e Ethereum serão como o MySpace, como os Friendsters da criptomoeda.

Porque está tudo tão aberto ainda, não há nada que torne a criptografia das moedas diferente de outras, independente de quão difícil seja de entender. Acho que isso é importante para os engenheiros entenderem as criptomoedas, isso não é magia, não é vodu. Isso é apenas tecnologia. E porque alguns entendem e outros não, alguém vai lançar um Facebook e um Snapchat do espaço criptográfico, ou seja, vai atualizar a bitcoin.

O que estou tentando falar é que acho que os desenvolvedores precisam gastar mais tempo desenvolvendo e menos tempo sendo day traders.

(Entrevista ao podcast da Software Engineering Daily publicada em 2 de março de 2018)



Com Informação da Morse

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Governo economiza R$ 304 milhões com serviços de computação em nuvem

A União deixou de gastar R$ 304 milhões com a contratação de serviços de computação em nuvem para 52 órgãos federais.

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Governo federal economiza milhões com computação na nuvem

A União deixou de gastar R$ 304 milhões com a contratação de serviços de computação em nuvem para 52 órgãos federais. Realizada no fim de fevereiro, quando ocorreu a abertura das propostas, a licitação teve o resultado divulgado na última quinta-feira (28) pelo Ministério da Economia.

A compra centralizada de serviços de computação em nuvem custou R$ 66 milhões, uma redução de 82,2% em relação ao preço estimado de R$ 368 milhões. A empresa vencedora da licitação foi a Extreme Digital Solutions.

Segundo a Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, a computação em nuvem ajudará a transformação digital do governo, ao permitir que um mesmo arquivo armazenado na nuvem pública seja acessado por diferentes dispositivos, como estações de trabalho, tablets e smartphones.

O modelo contratado prevê a possibilidade de os órgãos públicos armazenarem recursos na nuvem sob demanda. Dessa forma, os serviços e as funcionalidades podem ser ajustados conforme as necessidades de cada órgão, sem a necessidade de interação com o provedor dos serviços.

De acordo com a secretaria, o novo sistema oferece um menu de serviços de computação em nuvem variados para os órgãos públicos. Dependendo do grau de conhecimento da tecnologia, cada órgão poderá escolher os serviços e as configurações disponíveis, segundo as características de cada um.

A contratação seguiu o modelo de compra centralizada, em que o Ministério da Economia promove uma licitação única em nome de todo o governo federal e distribui os bens ou os serviços para os órgãos que se associam. O modelo gera redução de custos processuais, decorrente da realização de uma única licitação em lugar de várias, e economia de escala, quando um comprador em grande quantidade consegue mais descontos.

Em dezembro, o Ministério da Economia tinha economizado R$ 10,2 milhões com a compra centralizada de softwares para o governo federal. A licitação para a compra de assinaturas de softwares de escritórios – editor de texto, de tabelas, de apresentações, de anotações e de banco de dados – abrangeu 128 órgãos federais em 26 estados.


Com Informação da Agência Brasil

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