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Dr. Pessoa e os desafios dos 60 dias à frente da Prefeitura de Teresina: saúde pública

Falta de leitos de UTI para Covid-19 é o maior desafio da gestão do Dr. Pessoa

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Dr. Pessoa (MDB) completa 60 dias à frente da Prefeitura de Teresina. Sua gestão sucedeu aos tucanos que permaneceram por quase 30 anos decidindo os destinos da capital do Piauí. Nos dois primeiros meses de seu mandato, o prefeito e sua equipe enfrentam um sistema de saúde pública à beira do colapso com ocupação de 100% dos leitos de UTI, a ameaça de greve dos enfermeiros e o transporte coletivo da capital parado.

Duas das três principais áreas da gestão pública (educação apresenta sinais de transtornos), saúde e mobilidade urbana, dão claros sinais de fadiga – muito por ações de seu antecessor, o ex-prefeito Firmino Filho (PSDB).

Além dos problemas de gestão, Dr. Pessoa ainda tem que negociar políticamente com correntes antagônicas nas eleições de 2022 que se avizinha.

Dr. Pessoa tem o desafio da escolha política para 2022

De um lado, o Governo do Estado, nas mãos dos petistas. Sua visita recente ao presidente Bolsonaro (sem partido) e a divulgação de sua intenção de seguir para o mesmo partido do representante da direita incomodou parte da esquerda piauiense que o apoiou no segundo turno das eleições de 2020, isso inclui o PT, partido do governador Wellington Dias.

Dr Pessoa visita bolsonaro no começo do ano e declara intenção de acompanhar presidente na escolha do Partido

Do outro, o poderoso senador Ciro Nogueira (Progressitas) que detém as chaves que abrem as portas dos ministérios para projetos que Dr. Pessoa – e todos os prefeitos do Piauí – tanto precisam.

Vazam constantemente informações de ruídos internos na própria administração de Dr. Pessoa que envolveriam pastas importantes como o Planejamento, que está sob o comando do ex-ministro João Henrique de Almeida Sousa.

Onde continuam os problemas herdados pela gestão anterior e onde começam os novos problemas da própria gestão do Dr. Pessoa?

Esta primeira reportagem da série aborda a questão da Saúde Pública em Teresina.

O principal desafio é a saúde pública

Com aumento dos casos de covid-19 e da taxa de ocupação dos leitos de UTI, a saúde é o maior desafio da gestão

Desde que chegou ao Palácio da Cidade, Dr. Pessoa assistiu aos casos de contaminação por Covid-19 aumentarem em Teresina. A equipe da Fundação Municipal de Saúde (FMS) desativou o hospital de Campanha Pedro Balzi, o primeiro hospital de campanha de Teresina que ficou pronto ainda em maio de 2020.

Segundo declaração do presidente da FMS, médico Gilberto Albuquerque, a intenção era transferir os leitos para outras unidades médico-hospitalares da Prefeitura de Teresina.

O Pedro Balzi, anunciado intensamente pelo ex-gestor da cidade, foi fechado no dia 18 de janeiro após oito meses de funcionamento e um custo de implantação de cerca de R$ 2 milhões.

Segundo a FMS, dos 86 leitos clínicos disponíveis no hospital no início de seu funcionamento, apenas 20 estavam operando e foram transferidos para o hospital Mariano Castelo Branco, que fica no bairro Santa Maria Codipi, na zona Norte de Teresina. Os leitos de UTI teriam sido transferidos para o Hospital do Monte Castelo. Mas o problema que é o hospital Pedro Balzi, de acordo com dados da SESAPI, nunca teve nenhuma UTI.

Hospital Pedro Balzi não tinha leitos de UTI

Os boletins da Secretaria de Saúde do Estado publicados desde a inaguração do hospital de campanha Pedro Balzi apontavam que estrutura montada pela gestão Firmino Filho na quadra de Badminton da Universidade Federal nunca teve nenhum leito de UTI.

Seguidos relatórios mês a mês daquela secretaria demonstram em planilhas que o Pedro Balzi alcançou em junho de 2020 seu número máximo leitos: 81 eram clínicos e dois eram contabilizados como leitos de estabilização, mas nenhum leito de UTI aparece nas planilhas desde a sua inaguração.

Segundo a própria PMT à época, o Pedro Balzi não foi criado para atender casos graves que requeriam internações em UTI.

Hospital de Campanha do HUT tinha incoerências em números de leitos

Segundo a FMS, os leitos do hospital de Campanha João Claudino Fernandes, que funcionava numa tenda ao lado do HUT, também foram remanejados.

Eram 48 os leitos de UTI naquela estrutura, de acordo com a FMS já sob a gestão Dr. Pessoa, eles transferidos para o Hospital Universitário, Hospital do Monte Castelo e o próprio HUT.

Mas os números demosntram que o HUT perdeu 30 leitos de UTI comparando-se os meses de agosto de 2020 com fevereiro de 2021. O hospital do Monte Castelo aumento em 13 o número de leitos de UTI. O Hospital Universitário, para onde parte dos leitos teriam sido transferidos, diminuiu em 1o o número de leitos de UTI na comparação entre os dois períodos.

À época de sua inguração, o hospital de campanha João Claudino Fernandes era anunciado pela Prefeitura de Teresina como possuindo 60 leitos de UTI, e no próprio HUT, segundo afirmava aquela gestão, haviam outros 48 leitos de UTI. Seriam 108 leitos de UTI criados na gestão de Firmino Filho só no HUT (Zenon Rocha). Os números não batem com a realidade do período. Nem com os número do próprio gestor à época.

Números apresentados por Firmino Filho não batiam com dados da SESAPI

Em 27 de julho de 2020, Firmino foi ao twitter anunciar que a prefeitura havia criado 101 leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19. No Boletim da SESAPI de 04 de agosto de 2020, sete dias depois da declaração do ex-prefeito, apareciam somente 67 leitos de UTI criados pela Prefeitura de Teresina.

Ainda não é possível mensurar se a decisão da atual gestão da FMS em desativar os hospitais de campanha é producente ou se sob a gestão do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB) a implantação desses hospitais representaria desperdício de dinheiro público.

Demanda por UTI ultrapassa oferta de leitos na rede municipal

Diante do momento atual, há uma escassez de leitos de UTI em Teresina. A cidade chegou a uma taxa de 93% de leitos de UTI ocupados nas semanas epidemiológicas de 5 a 7 de 2021, com dados contalizados até o dia 20 de fevereiro publicados em boletim da Fiocruz.

Na noite do último dia 27 de fevereiro, o Hospital do Monte Castelo, que teria recebido parte dos leitos do Paulo Balzi e do HUT, estava com 100% ocupação dos leitos de UTI. Em agosto de 2020 esse hospital tinha 7 leitos de UTI, hoje são 20.

Ao todo, a saúde de Teresina perdeu 55 leitos de UTI somente nos três principais hospitais: HUT, HU e HGV que integram a rede pública. Hospital do Monte Castelo, HDIC e HPM foram os que ampliaram o número de UTI no compartivo entre agosto de 2020 e fevereiro de 2022, aumentando em 21 o número de leitos de UTI. O saldo da rede pública entre esses hospitais foi de 34 leitos a menos.

A questão do lockdown na capital Teresina

O governador Wellington Dias havia tomado a iniciativa de endurecer as medidas de isolamento social no Piauí. Um primeiro decreto foi publicado, mais brando do que o esperado, permitindo a abertura normal do comércio e o funcionamento de academias. Mas logo um novo decreto foi publicado. Neste último final de semana ocorreu o primeiro lockdown.

O vice-prefeito Robert Rios tem chamado a atenção para a questão em grupos de whatsapp. Dr. Pessoa tem dado sinais de ser contra o lockdown, mas os casos aumentam e os leitos de UTI estão insuficientes.

Ao que tudo indica, a nova gestão à frente da Prefeitura de Teresina herdou uma série de erros do prefeito anterior. E Dr. Pessoa não tem o mesmo tempo que Firmino Filho tinha para agir. O Palácio da Cidade está mergulhado numa grave crise de saúde, sem precedentes. Um teste de fogo para quem está há 60 dias no comando do Palácio da Cidade.

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