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Com poucas vagas de UTI, sistema de saúde em Teresina corre risco de colapso

Teresina chegou a 93% de taxa de ocupação dos leitos de UTI, ficando entre as cinco capitais com o sistema de saúde mais comprometido do Brasil.

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O pesadelo de Manaus pode se repetir em Teresina. A capital do Piauí está próxima do colapso na saúde, é o que demonstram os últimos números – nada otimistas – quanto à covid-19 na capital do estado. 

De acordo com o Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz, que considerou as semanas epidemiológicas de 5 a 7, que abrangem o período de 31 de janeiro a 20 de fevereiro, Teresina tem em média 93% dos leitos de UTI ocupados. Mas no último dia 23 de fevereiro, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) informava que a taxa de ocupação de UTIs em hospitais públicos alcançava 100% na capital.

De acordo com informações da FMS, 56% dos pacientes que estavam na UTI eram oriundos do interior do Piauí. Apenas 44% dos leitos eram ocupados por teresinenses. O presidente da Fundação disse que mesmo se conseguisse abrir mais leitos, estes não funcionariam por falta de medicamentos.  “Nós já abrimos os leitos de UTI que poderíamos. Mesmo que a gente conseguisse abrir mais leitos de UTI, não existem medicamentos no mercado para se comprar. As indústrias não estão produzindo quantidade suficiente. Então, não temos outra alternativa a não ser sugerir algumas medidas que ajudem o sistema de saúde a suportar a demanda”, disse Gilberto Albuquerque.

Gilberto Albuquerque, depois de anunciar que não era possível, presidente da FMS diz que vai abrir leitos de UTI

Dois dias depois desta declaração, Albuquerque mudou o tom e anunciou a abertura de mais 15 leitos de UTI. Segundo ele, Dez no Hospital Getúlio Vargas e cinco no Hospital do Dirceu. Um dos bairros mais populosos de Teresina, o Dirceu Arcoverde, no grande Itararé, zona Sudeste da capital, é uma das regiões mais afetadas pela covid-19 e com o maior número teresinenses contaminados até o momento.

Governo anuncia novos leitos desde janeiro

No dia 21 de janeiro, uma reportagem da assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Piauí (SESAPI) informava que “a princípio, a rede em Teresina passa a contar com mais 22 leitos, sendo dez no Hospital Getúlio Vargas(HGV); sete no Hospital Natan Portela e cinco no Hospital da Polícia Militar(HPM).” O tempo verbal presente da frase “passa a contar” virou pretérito do futuro se tivesse passado a contar com os leitos, o sistema de saúde de Teresina teria mais um pouco de oxigênio para enfrentar o que vem pela frente.

Pouco mais de um mês depois de anunciar os novos leitos de UTI que não foram instalados ainda, no último dia 25, Teresina registrou um dos números mais altos de óbitos num dia. Naquela quinta-feira, 10 pessoas morreram na capital. Há 7 meses Teresina não registrava tantas mortes em um dia por covid-19, a última vez foi em 10 de agosto do ano passado.

Leitos de UTI em Teresina

Teresina tem 217 leitos de UTI quando somadas as redes pública e privada. Até o último dia 27, de acordo com o Boletim da SESAPI, 173 desses leitos estavam ocupados, o que significa uma taxa de ocupação de 79,7%, portanto, apenas 44 leitos de UTI estavam disponíveis. 

O Hospital Geral do Monte Castelo tinha 100% dos seus 20 leitos ocupados. O HUT estava com ocupação de 94,4%, o Hospital Universitário e o HDIC com 90% de taxa de ocupação de leitos de UTI, seguidos pelo HGV com 82,9%.

Para a Fiocruz, dentre os novos desafios, estão a chegada das vacinas e o lento processo de imunização combinado com o surgimento das novas variantes do vírus. Para a instituição, a gravidade deste cenário não pode ser naturalizada e nem tratada como um novo normal. Mais do que nunca urge combinar medidas amplas e envolvendo todos os setores da sociedade e integradas nos diferentes níveis de governo.

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