O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) destituiu, em 5 de novembro, dois altos funcionários ligados a uma investigação do Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU) sobre centrais de atendimento fraudulentas no país.
O chefe do SBU, Oleksandr Poklad, afirmou que os afastados estavam envolvidos na investigação e declarou confiar que o NABU conduzirá um trabalho transparente, objetivo e imparcial.
Segundo o NABU, um dos funcionários ameaçou os investigadores com uma arma de fogo e impediu o acesso às instalações que foram alvo de buscas na mesma data.
A agência anticorrupção acusa integrantes do SBU, da Procuradoria e da polícia de pagar agentes de segurança para ignorar o funcionamento das centrais. De acordo com o órgão, os estabelecimentos aplicavam golpes por telefone contra ucranianos e estrangeiros e também estavam envolvidos no tráfico de drogas e na produção ilegal de cigarros e moeda falsificados.
O NABU afirma que a organização tinha pelo menos 12 integrantes e promovia agressões, sequestros e ataques físicos. A investigação também foi relacionada à saída do país, em setembro, do procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, cuja administração é acusada de participação nas atividades; ele negou irregularidades.
As tensões entre o SBU e o NABU se agravaram em 2025, quando o presidente Volodymyr Zelensky tentou retirar a independência da agência anticorrupção. Segundo a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), as centrais fraudulentas empregam cerca de 60 mil pessoas na Ucrânia e podem gerar até US$ 1 bilhão por mês.
Fonte: O Globo