O Governo do Distrito Federal pediu nesta quinta-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o Banco de Brasília (BRB) e a gestão local sejam reconhecidos como vítimas no inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
O Executivo também solicitou a transferência de R$ 2,2 bilhões bloqueados de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois estão presos.
Segundo o pedido, embora Henrique Vorcaro não tivesse função formal na estrutura do Master, ele compartilhava atividades e estrutura material e humana com integrantes do grupo investigado. O governo afirmou que o Distrito Federal figura, ao lado do BRB, como vítima das condutas apuradas.
Na petição, a gestão distrital disse que, por ser acionista controladora do banco, suporta no patrimônio público os efeitos do dano atribuído à instituição. Entre as consequências citadas estão a desvalorização da participação acionária, a redução de resultados e dividendos e o risco de recomposição da estrutura patrimonial do banco com recursos do Tesouro distrital.
Em 25 de agosto, o governo já havia pedido ao STF a retirada de circulação e a devolução ao BRB de R$ 12,2 bilhões repassados ao Banco Master em operações de compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas. Também solicitou o rastreamento das movimentações financeiras e o bloqueio dos valores, com depósito judicial.
O BRB está sem publicar balanços há meses e enfrenta uma crise após se envolver, no ano passado, na tentativa de aquisição do Master. Segundo investigação da Polícia Federal, a operação buscava dar liquidez ao banco de Daniel Vorcaro.
Em relatório preliminar, a PF indiciou Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por suspeitas de fraudes relacionadas ao Master. A corporação descreve Vorcaro como líder de uma organização criminosa e atribui a ele supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
As suspeitas envolvem R$ 17,5 bilhões em créditos vendidos pelo Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Segundo a PF, R$ 12,2 bilhões desse total eram créditos sem a devida comprovação de existência. Paulo Henrique Costa é apontado no relatório como principal agente de articulação institucional no BRB.
Fonte: O Globo