A dívida bruta do governo geral deve subir de 83,7% do PIB em 2026 para 89,7% em 2030, segundo o Relatório de Riscos Fiscais da União de 2026, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional em 3 de novembro.
O indicador reúne o endividamento dos governos federal, estaduais e municipais. A projeção aponta alta para 86,5% do PIB em 2027, 88,4% em 2028 e 89,6% em 2029, antes de atingir o pico em 2030.
Depois, a dívida recuaria gradualmente para 86,3% do PIB em 2036, último ano da projeção. O Tesouro afirma que uma redução sustentada depende da continuidade de reformas, principalmente das que promovam a consolidação fiscal, melhorem o ambiente de negócios e favoreçam o crescimento da economia.
Entre 2026 e 2030, os juros devem acrescentar, em média, 8,4 pontos percentuais do PIB por ano à dívida bruta. O crescimento nominal da economia reduziria a relação em 6 pontos anuais, sendo 2,1 pontos pelo avanço real do PIB e 3,9 pontos pelo efeito da inflação.
Em um cenário adverso, com déficits maiores, crescimento menor e juros mais altos, a dívida chegaria a 96,3% do PIB em 2030, superaria 100% em 2033 e alcançaria 103,4% em 2036. No cenário favorável, recuaria para 71,3% em 2036.
A trajetória revisada é pior que a apresentada em abril no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que previa pico de 87,8% do PIB em 2029 e dívida de 83,4% em 2036.
O relatório também aponta pressões sobre as despesas, como a influência da inflação e do salário mínimo, o aumento dos gastos com sentenças judiciais e o envelhecimento da população. O documento cita ainda a previsão de aporte de R$ 6 bilhões nos Correios no projeto de Orçamento de 2027 e classifica como possível o risco de novos aportes emergenciais em estatais.
Fonte: O Globo