O economista Marcos Lisboa afirmou, em entrevista publicada em 4 de novembro de 2026, que Luiz Inácio Lula da Silva deve liderar uma agenda de reorganização das políticas públicas caso seja reeleito para um quarto mandato.
Ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Lisboa disse que políticas mal desenhadas e sem diagnóstico adequado geram desequilíbrios nas contas públicas. Para ele, a prioridade não deve ser cortar benefícios sociais, mas conter o crescimento das despesas e melhorar a eficácia dos programas.
Lisboa defendeu a revisão de regras que, segundo ele, engessam o Orçamento, como a vinculação do reajuste das aposentadorias ao salário mínimo e os pisos constitucionais de saúde e educação. Também citou a necessidade de rever benefícios tributários e afirmou que mudanças desse tipo exigiriam uma proposta de emenda à Constituição.
Na avaliação do economista, o presidente precisaria construir uma maioria parlamentar e formar um governo de coalizão para aprovar a agenda. Lisboa questionou se Lula desejaria deixar um legado ou permanecer limitado por promessas de campanha.
Sobre a taxa básica de juros, Lisboa afirmou que a Selic elevada é consequência, e não causa, dos problemas econômicos. Ele criticou propostas de redução acelerada dos juros sem evidências empíricas e classificou esse tipo de medida como irresponsável.
O economista também avaliou que a economia deverá desacelerar em 2027 e mencionou dificuldades enfrentadas por empresas do varejo, do sistema financeiro e do agronegócio. Para enfrentar o endividamento, defendeu diagnósticos mais precisos antes da criação ou repetição de programas de crédito e renegociação.
Fonte: O Globo