A Latam Brasil projeta um crescimento mais cauteloso em 2027, pressionada pelo combustível de aviação, pela valorização do dólar e pelos possíveis efeitos da reforma tributária sobre a demanda. A empresa pretende continuar recebendo aeronaves e ampliando sua operação, mas avalia que algumas rotas estão perdendo atratividade econômica, afirmou o presidente-executivo Jerome Cadier à Reuters nesta terça-feira (3). b
“Para o futuro, sem dúvida nenhuma, a gente está mais conservador”, declarou o executivo. Segundo ele, a companhia já ajusta frequências em ligações domésticas menos rentáveis, embora mantenha a previsão de encerrar o ano atendendo 67 cidades brasileiras.
O combustível é uma das principais preocupações. A Latam elevou sua premissa de preço para o quarto trimestre de aproximadamente US$ 130 para US$ 180 por barril de combustível de aviação. Cadier afirmou que a empresa ainda não concluiu a estimativa para 2027, mas trabalha com a perspectiva de valores superiores aos previstos meses atrás.
O câmbio acrescenta pressão porque cerca de 60% dos custos da operação brasileira são dolarizados, segundo o executivo. Ele também avalia que a implementação da reforma tributária poderá elevar as tarifas e afetar a procura por viagens. Essa é uma projeção da companhia, sem percentual de reajuste das passagens anunciado na entrevista.
A pressão ocorre após novos aumentos no mercado brasileiro. Em novembro, a Petrobras reajustou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação vendido às distribuidoras, acréscimo de R$ 0,45 por litro. A correção sucedeu uma alta de 11,76% em outubro.
A Latam já havia esclarecido, em posicionamento divulgado no fim de outubro, que alterações na programação preliminar de 2027 não representavam cancelamentos de voos confirmados e disponíveis para venda. A empresa afirmou que continuará crescendo, inclusive no Nordeste, em ritmo inferior ao inicialmente esperado.
Apesar da cautela, o projeto de expansão com aeronaves Embraer E195-E2 permanece em andamento. A companhia encomendou 24 unidades e recebeu o primeiro avião em outubro. A previsão divulgada para a etapa inicial contempla a incorporação de até 14 aeronaves entre novembro de 2026 e março de 2027, incluindo operações em Cabo Frio e Macaé, no Rio de Janeiro, Ji-Paraná, em Rondônia, e Rondonópolis, em Mato Grosso.
Em comunicado a investidores, o grupo informou que avalia até 18 novos destinos para uma segunda fase de expansão em 2027, conforme o avanço das entregas da Embraer. Os locais em estudo não equivalem a rotas já confirmadas.
Para os passageiros, a consequência imediata será acompanhar a definição da malha e das frequências efetivamente colocadas à venda. A perspectiva de custos elevados torna a rentabilidade das ligações um fator central no planejamento da companhia para o próximo ano.