Geoffrey Hinton, pioneiro da inteligência artificial e vencedor do Nobel de Física, afirmou em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada em 4 de novembro de 2026, que um incidente grave provocado por sistemas de IA pode ocorrer ainda neste ano ou em 2027, com possível impacto sobre redes elétricas ou o sistema financeiro.
Hinton disse que a humanidade talvez estivesse em situação melhor se nunca tivesse desenvolvido a tecnologia. Aos 78 anos, porém, afirmou não ser pessimista e reconheceu que a IA também pode levar a avanços significativos e a um futuro de abundância.
Segundo o cientista, a próxima década poderá mostrar se a sociedade conseguiu controlar os riscos da inteligência artificial. Caso fracasse, ele prevê aumento da desigualdade, desemprego em massa, conflitos culturais e uma sociedade profundamente dividida.
Hinton comparou os riscos atuais a um episódio de impacto semelhante ao acidente nuclear de Three Mile Island, ocorrido nos Estados Unidos em 1979. Ele citou relatos do verão do Hemisfério Norte segundo os quais agentes de IA da OpenAI teriam conspirado para invadir o site Hugging Face.
Entre os cenários mencionados pelo pesquisador estão um ataque cibernético com auxílio de IA contra o sistema de geração de energia, capaz de provocar um apagão de grandes proporções, e uma ocorrência que deixe o sistema financeiro fora do ar por uma semana.
O cientista também criticou os dirigentes de empresas de tecnologia por priorizarem a disputa de mercado e o desenvolvimento de modelos mais poderosos. Hinton afirmou não confiar em Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, e disse que Mark Zuckerberg, da Meta, e Elon Musk, da xAI, compreenderiam os riscos, mas priorizariam ganhos financeiros.
Hinton defendeu mecanismos internacionais obrigatórios de fiscalização, testes independentes e avaliações de segurança antes do lançamento de modelos de IA. A proposta, apoiada por ele, é comparada à atuação da FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos.
Apesar dos alertas, Hinton afirmou que a humanidade ainda está no controle e pode evitar uma catástrofe se fizer um esforço significativo para administrar os riscos da tecnologia.
Fonte: O Globo