O Partido Democrata venceu as eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira nos Estados Unidos, conquistando as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, segundo o conteúdo divulgado. O resultado amplia a capacidade da oposição de fiscalizar e investigar o governo de Donald Trump nos dois anos restantes do mandato.
Durante a apuração, Trump afirmou à Fox News que aceitará os resultados. Em entrevista à mesma emissora, o presidente relacionou o desempenho negativo dos republicanos à guerra e à alta dos preços da gasolina, mas disse não se arrepender do ataque ao Irã realizado em fevereiro junto com Israel.
O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira que os eleitores americanos rejeitaram políticas que, segundo ele, empobrecem a população, além do ódio, do sexismo, do negacionismo climático e dos privilégios das elites. Às vésperas das eleições espanholas, marcadas para 29 de novembro, Sánchez disse que resultados semelhantes ocorreram no Brasil e agora nos Estados Unidos.
No Irã, o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que a mudança na política interna americana não encerrará a hostilidade contra seu país. O principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, Mohammed Bagher Ghalibaf, interpretou a derrota republicana como uma rejeição à guerra e advertiu que Washington deveria respeitar a vontade popular.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse que Moscou aguardará os resultados finais e afirmou que a política externa russa não depende das oscilações do cenário político de outros países. Segundo ele, a abordagem democrata em relação à Rússia é fortemente negativa.
O secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, declarou que a aliança entre Japão e Estados Unidos continuará sendo a base da política externa e de segurança japonesa, independentemente do resultado eleitoral. A China, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que a eleição é um assunto interno americano, mas defendeu a continuidade do diálogo e da cooperação entre os dois países.
Na Europa, o ministro das Finanças da França, Roland Lesure, disse que Trump precisará decidir se reconhecerá a necessidade de mudanças, especialmente nos preços da gasolina, e se reduzirá seu envolvimento internacional. Jordan Bardella, líder do partido francês de extrema direita Reunião Nacional, afirmou que a intervenção americana contra o Irã afeta as economias dos Estados Unidos e da Europa.
A alemã Alice Weidel, co-líder da AfD, disse que a promessa de Trump de não adotar uma política externa intervencionista voltou para assombrar os republicanos. Ines Schwerdtner, co-líder do partido alemão de esquerda, classificou o resultado como uma derrota da direita global.
Bernd Lange, chefe da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, chamou a derrota de golpe para Trump e suas políticas. Ele questionou se os republicanos continuarão apoiando o presidente e afirmou que a União Europeia não pode ficar à mercê de Trump.
Fonte: O Globo