A presidente executiva do Santander, Ana Botín, afirmou nesta quarta-feira, 4 de novembro, em Madri, que a questão fiscal é um desafio mundial, e não exclusivo do Brasil. A declaração ocorreu durante o XXII Encontro Santander América Latina.
Segundo Botín, os países tentam administrar uma economia digital com regras tributárias estruturadas para a era industrial. Ela defendeu um novo contrato social e mudanças nos sistemas previdenciários diante do aumento da expectativa de vida.
A executiva citou a elevação da idade de aposentadoria na Espanha para 67 anos e afirmou que permitir que as pessoas trabalhem por mais tempo é necessário para preservar as garantias sociais. Para ela, reformas estruturais no Brasil e na Europa exigem esforço elevado.
Botín também elogiou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ela, oferecer sinais de confiança aos mercados. A executiva afirmou que o Banco Central brasileiro tem independência equivalente ou superior à de instituições de países desenvolvidos.
Ela ainda destacou a solidez das instituições brasileiras e o sistema de freios e contrapesos entre os Poderes. Na avaliação da executiva, o Brasil melhorou gradualmente na última década ou nas últimas duas décadas, independentemente de quem esteja no poder.
Como exemplo da confiança no país, Botín mencionou a oferta voluntária de permuta em andamento para adquirir aproximadamente os 10% restantes do capital do Santander Brasil que ainda não pertencem à controladora espanhola. Os acionistas minoritários que aderirem receberão BDRs da matriz espanhola em troca de suas ações.
Para 2027, o Santander prevê oferecer 100 bilhões de euros em novos créditos para a América Latina. Botín afirmou que a região é estratégica para o banco e tem recursos, indústria diversificada, empreendedorismo e talento.
O banco também planeja expandir a plataforma digital Openbank para Colômbia e Peru e, futuramente, para o Brasil. Lançado no México, o serviço tem 1,6 milhão de clientes; nos Estados Unidos, acumula US$ 11 bilhões em depósitos, segundo a executiva.
Fonte: O Globo