O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), pretende votar ainda em 2026 a adoção do voto distrital misto para eleições de deputados federais, estaduais e vereadores.
Pelo modelo em discussão, o eleitor votaria duas vezes: uma em um candidato do distrito e outra em um partido. A proposta prevê que parte dos parlamentares seja eleita pelos distritos e outra parte pelo voto partidário.
Segundo a Câmara, se aprovada, a mudança começaria a valer em 2034, com uma transição prevista para 2030. O sistema seria aplicado apenas às eleições legislativas e não alteraria a escolha de cargos disputados pelo sistema majoritário.
O debate ganhou força em razão do impacto que candidatos com votações expressivas podem ter no sistema proporcional. Em 2026, 33 dos 513 candidatos eleitos tiveram votos suficientes para contribuir com a conquista de outras cadeiras por seus partidos.
Nikolas Ferreira (PL), com 3,1 milhões de votos, Lucas Pavanato (PL), com 3 milhões, e Erika Hilton (PSOL), com 1,5 milhão, estão entre os candidatos citados como responsáveis por ajudar na eleição de outros integrantes de suas legendas.
Em entrevista coletiva na última quarta-feira, Motta afirmou que concluiu articulações com partidos de centro e que pretende dialogar com as demais siglas representadas na Câmara. Entre os grupos mencionados estão a federação formada por PT, PV e PCdoB, além de PL e Novo.
Motta também disse que pretende se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), para tratar da proposta. Deputados do PT e do PL se posicionaram contra a mudança, enquanto Motta e aliados tentam obter apoio de parlamentares que já defenderam a ideia.
Fonte: O Globo