Partidos do Centrão que negociam apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva tentam reduzir a presença do PT na articulação política e indicar aliados para ministérios e lideranças no Congresso durante a formação do quarto governo.
Atualmente, o PT controla os ministérios das Relações Institucionais e da Casa Civil, além das lideranças do governo na Câmara, no Senado e no Congresso. União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD buscam espaço na próxima gestão, mas ainda não definiram formalmente se integrarão a base, oposição ou um bloco independente.
Republicanos, União Brasil e PP apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, enquanto MDB e PSD permaneceram neutros. Os partidos, no entanto, avaliam que Lula precisará deles para aprovar projetos no Legislativo.
O líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), defendeu um governo mais amplo e afirmou que o presidente não deveria concentrar o comando político no PT. Segundo ele, essa concentração teria sido um erro no terceiro mandato.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que o partido foi procurado pelo governo. Para ele, Lula precisa adotar uma postura de união nacional e ampliar o apoio político.
Entre as possibilidades discutidas pelo Centrão está a indicação de Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) para o Ministério das Relações Institucionais. Ex-ministro de Portos e Aeroportos, ele é próximo do presidente da Câmara e ocupa atualmente a liderança da maioria na Casa.
Na Câmara, o PP tenta ocupar cargos no Executivo e articula a indicação de Aguinaldo Ribeiro para a Esplanada. André Fufuca, que comandou o Ministério do Esporte no terceiro mandato, foi eleito senador e ainda não decidiu se retomará o cargo no governo ou exercerá o mandato.
Também buscam espaço os deputados Moses Rodrigues (União-CE) e Pedro Lucas Fernandes (União-MA), que dependem do aval do partido para uma eventual indicação ministerial.
O crescimento do PL é apontado por governistas e integrantes do Centrão como um fator que pode dificultar a articulação de Lula. A legenda deverá ter 121 deputados federais e 29 senadores no próximo ano, enquanto o PT terá 70 deputados e precisará formar alianças para obter maioria nas votações.
Lula trabalha pela reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre (União-AP) para o comando do Senado. Aliados avaliam que, nesse cenário, o presidente dependerá mais dos dois parlamentares para aprovar propostas de interesse do governo.
O Planalto também considera importante evitar que senadores eleitos deixem seus mandatos para assumir ministérios, como ocorreu no terceiro mandato. Nesse debate, aliados defendem que Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, permaneça no Senado e possa assumir a liderança do governo na Casa.
Renan Filho e Silvio Costa Filho disseram a aliados que não há definição sobre os cargos. Segundo governistas, a negociação dos ministérios ainda não começou, porque Lula concentra esforços na escolha do novo ministro da Fazenda.
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, segue como interlocutor da política econômica, mas o presidente ainda não definiu seu sucessor. Um dos nomes avaliados é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Fonte: O Globo