O cientista político Miguel Lago avaliou, em entrevista publicada em 2 de novembro de 2026, que a mobilização descentralizada na campanha do segundo turno da eleição presidencial no Brasil foi inédita e deveria ser incorporada ao novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Lago, a campanha reuniu cidadãos que atuaram fora das estruturas partidárias, convenceram eleitores a votar e conversaram com pessoas indecisas. Para ele, a mobilização teve como eixo a defesa da democracia e a oposição a Jair Bolsonaro, e não apenas a avaliação do governo ou a atuação do PT.
O cientista político afirmou que incorporar essa experiência não significa apenas ampliar a presença de Lula nas redes sociais. Na avaliação dele, o governo deveria descentralizar mais o poder e criar mecanismos para envolver a população em decisões relevantes.
Lago disse que o Brasil está atrasado em instrumentos de participação cidadã e que o PT poderia recuperar experiências adotadas por administrações municipais do partido nos anos 1980 e 1990. Ele também avaliou que Lula terá um governo de minoria, diante de um Parlamento mais à direita.
Para o cientista político, será difícil que a aprovação do novo governo supere com grande margem a desaprovação, devido à polarização política e às pressões fiscal, política e internacional. Ele afirmou que a participação popular em temas relevantes poderia reduzir a rejeição ao presidente, mesmo entre pessoas que não gostam de Lula.
Entre as possíveis prioridades do novo mandato, Lago citou o fim da escala de trabalho 6x1, a agenda de redução das desigualdades e uma atuação mais forte na política internacional. Ele também defendeu que a pauta climática organize as ações do Estado e disse desejar a presença de mais pessoas sem trajetória política no ministério.
Fonte: O Globo