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segunda-feira, 02 de novembro de 2026

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POLÍTICA

Janones descarta ministério de Lula e diz que permanecerá na Câmara

Deputado que comandou o canal “Exército do Lula” durante a campanha presidencial afirmou ao Fantástico que não aceitará integrar o primeiro escalão do próximo governo

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Janones descarta ser ministro do governo Lula
Crédito: Reprodução/Fantástico

O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não aceitará um ministério no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista exibida pelo Fantástico no domingo (1º), o parlamentar, reeleito para seu terceiro mandato, declarou que pretende continuar na Câmara dos Deputados. A manifestação ocorre após sua atuação na mobilização digital da campanha presidencial ampliar as especulações sobre uma possível entrada no governo.

“Eu não vou aceitar nenhum ministério”, afirmou. Janones também disse que continuará exercendo o mandato parlamentar e representando seus eleitores na Câmara. A entrevista foi realizada dois dias depois da eleição presidencial e exibida uma semana após o segundo turno.

A declaração trata da disposição do deputado diante de um eventual convite. As informações consultadas não confirmam a apresentação de uma proposta formal de Lula para que ele assumisse uma pasta. Seu nome vinha sendo mencionado como possibilidade para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em razão da projeção alcançada durante a campanha.

Apelidado de “general de Lula” por sua atuação no segundo turno, Janones administrou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Segundo a reportagem do Fantástico, o espaço reuniu mais de 10 milhões de pessoas nas três semanas anteriores à votação. A iniciativa organizou a distribuição de mensagens e ações de mobilização entre apoiadores do presidente.

A dimensão alcançada pelo canal colocou o deputado entre os nomes de maior visibilidade na comunicação da campanha. Sua atuação, entretanto, ocorreu como parlamentar aliado, sem a responsabilidade institucional de comandar a comunicação do governo federal.

A preferência pela Câmara também apareceu em declarações dadas a jornalistas em 29 de outubro. Na ocasião, Janones afirmou que considerava o Congresso o espaço em que poderia contribuir mais, mas ressalvou que ouviria Lula antes de tomar uma decisão sobre seu futuro político. Segundo ele, o presidente o havia convidado para um almoço em Brasília para discutir os próximos passos após a eleição.

Naquela conversa, o deputado relacionou sua permanência no Legislativo à necessidade de aprovar propostas do próximo governo. Disse que Lula precisaria de força no Congresso e que poderia ajudar na articulação parlamentar e no enfrentamento político à oposição.

“Eu acho que eu posso ajudar muito como deputado”, declarou. Questionado sobre outras possibilidades, incluindo uma função de liderança na Câmara, afirmou que precisava conversar com o presidente.

Como a entrevista ao Fantástico foi gravada antes dessas declarações e exibida posteriormente, as duas manifestações não permitem estabelecer, apenas pela ordem de publicação, uma mudança de posição depois do encontro com Lula. O ponto comum é a avaliação de Janones de que sua atuação parlamentar pode ser mais útil ao presidente.

Em publicação nas redes sociais também repercutida pela imprensa, o deputado apresentou outra justificativa para não desejar um ministério: evitar as obrigações protocolares e os compromissos burocráticos associados ao cargo. Ele defendeu a manutenção da liberdade de atuação política que considera necessária para continuar a mobilização de apoiadores.

A permanência na Câmara preserva duas frentes de trabalho mencionadas pelo parlamentar: a participação nas decisões legislativas e a comunicação direta com sua base digital. São atividades com responsabilidades diferentes das de um ministro, que passa a responder pela administração de uma área do Executivo e pela execução das políticas correspondentes.

Janones também afirmou que pretende permanecer na Rede Sustentabilidade, sem se filiar ao PT. A decisão mantém o apoio ao presidente a partir de outra legenda, enquanto ele se prepara para o novo mandato parlamentar, iniciado em 2027.

Ao afastar a possibilidade de ocupar um ministério, o deputado sinaliza onde pretende concentrar sua participação no próximo governo: no apoio político e legislativo a Lula e na continuidade da mobilização digital. A declaração, contudo, não define eventual cargo de liderança na Câmara nem estabelece uma função formal na estrutura de comunicação presidencial.

Essas atribuições dependerão das articulações entre o presidente, os partidos aliados e suas bancadas. Até o momento, a posição anunciada por Janones é a de exercer o mandato para o qual foi reeleito e manter sua atuação como aliado do governo no Congresso.

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