A investigação sobre o incêndio no bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, envolve 17 acusados e não tem previsão de julgamento dez meses após a tragédia, que matou 41 pessoas e feriu outras 115.
O estabelecimento pegou fogo rapidamente em 1º de janeiro, enquanto jovens, muitos deles adolescentes, comemoravam o Ano-Novo em uma estação de esqui. Os procuradores do cantão de Wallis concentram parte da apuração no casal francês Jacques e Jessica Moretti, proprietário e responsável pela administração do bar.
Os Moretti são investigados por possíveis falhas no cumprimento das normas de segurança contra incêndio, nas saídas de emergência e nos equipamentos de proteção. A apuração também busca esclarecer o que o casal sabia sobre os riscos enfrentados pelos clientes.
Os 17 acusados respondem a suspeitas de homicídio culposo, lesão corporal por negligência e incêndio criminoso por negligência. Entre eles estão funcionários municipais atuais e antigos, incluindo o prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud.
Após o incêndio, as autoridades locais admitiram que não havia sido realizada nenhuma inspeção de incêndio ou de segurança no bar desde 2019. Os investigadores tentam determinar se políticos e servidores conheciam as deficiências e se havia recursos para fazer as inspeções necessárias.
A investigação também analisa reformas feitas no porão do bar em 2015, as licenças de funcionamento e as medidas de segurança. Segundo os promotores, a espuma de isolamento acústico instalada no teto pegou fogo rapidamente após garrafas de champanhe com velas de faísca serem erguidas no ar; algumas saídas de emergência também estariam trancadas.
Jessica Moretti foi acusada, em junho, de falsificação de documento em um caso relacionado a uma nota fiscal da espuma. Jacques Moretti também tem antecedentes criminais na França e foi detido em agosto após acusações de violência doméstica contra a esposa, segundo o conteúdo da investigação.
Os procuradores de Wallis receberam críticas pela demora na prisão dos Moretti, pela ausência de medidas para impedir a combinação de versões entre suspeitos e pela falta de buscas imediatas. Um pedido para nomear procuradores de fora do cantão e outro para afastar os responsáveis pelo caso foram rejeitados em abril, enquanto um dos três promotores deixou o cargo posteriormente.
Ainda não foram ouvidos todos os demandantes, e os investigadores precisam apurar eventuais responsabilidades nas reformas, na administração do bar e nas inspeções municipais. Advogados também pediram a revisão das acusações contra os Moretti após a divulgação de correspondências que, segundo eles, indicariam que o casal conhecia o risco de incêndio.
Fonte: O Globo