Gabriel de Alba está perto de assumir o controle da SAF do Botafogo por meio da GDA Luma, gestora que já destinou cerca de US$ 50 milhões ao clube até setembro. A transferência depende do avanço da recuperação judicial e ocorre após o Botafogo social passar a deter 99,18% da SAF.
De Alba, mexicano e cidadão americano, tem formação em Finanças e Economia pela Universidade de Nova York e MBA pela Columbia. Antes de fundar a Catalyst, no Canadá, em 2002, trabalhou no Bankers Trust, no Bank of America e na AT&T Latin America.
A GDA Luma adota a chamada estratégia do “cavaleiro branco”, que consiste em comprar dívidas de empresas com dificuldades financeiras e buscar influência ou controle durante processos de reestruturação. O método foi aplicado em negócios envolvendo o Cirque du Soleil, a operadora de satélites Satmex e outros ativos.
No Botafogo, a gestora entrou inicialmente como credora, com US$ 25 milhões destinados a compromissos urgentes ainda na gestão de John Textor. Em outubro, a GDA Luma deixou a lista de credores da recuperação judicial, enquanto a diluição da Eagle abriu caminho para a transferência do controle ao clube social.
Segundo pessoas ligadas ao clube, a GDA Luma mantém sete profissionais acompanhando diariamente as áreas financeira e jurídica da SAF. De Alba participa das decisões de maior peso, mas o comando esportivo permanece concentrado no clube social e nos executivos locais.
Em sua primeira visita ao Rio de Janeiro, em 18 de agosto, o empresário foi ao treino, conversou com o elenco, encontrou torcedores e acompanhou a eliminação para o Cienciano, do Peru, na Copa Sul-Americana. Ele também afirmou que estaria presente no clube tanto de coração quanto fisicamente.
De Alba ganhou notoriedade no Brasil por sua atuação no processo de reorganização do Cirque du Soleil durante a pandemia. Na ocasião, credores fizeram a oferta vencedora, injetaram capital e assumiram praticamente todo o controle da companhia, da qual ele se tornou copresidente do conselho.
A GDA Luma informou ter US$ 592,4 milhões em ativos regulatórios sob gestão em março de 2026. Um fundo ligado à gestora declarou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, em janeiro de 2024, ter captado US$ 236,25 milhões de oito investidores; esses valores não correspondem ao patrimônio pessoal de De Alba.
A trajetória do empresário também inclui disputas judiciais. Em uma ação no Canadá, um juiz criticou seu depoimento, enquanto uma ação em Nova York relacionada à massa falida da colombiana Credivalores reúne alegações ainda não julgadas; De Alba não é réu pessoalmente nesse processo.
A possível mudança de controle ocorre em um momento de pressão esportiva. Ao fim de outubro, o Botafogo ocupava a 12ª posição, com 39 pontos, três acima da zona de rebaixamento, e o técnico Tite somava uma vitória, um empate e quatro derrotas em seis partidas.
Fonte: O GLOBO