O advogado Willer Tomaz possui outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, além do imóvel que disputa com o jogador Richarlison. Tomaz é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) junto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitas de lavagem de dinheiro.
O levantamento aponta que quatro imóveis ficam na Ilha Comprida e um está na Ilha do José André. Cinco das propriedades foram adquiridas entre 2021 e 2022, período em que Flávio apresentou propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico e à ocupação de áreas da região.
Em outubro de 2021, o senador apresentou um projeto para criar uma Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento Sustentável com Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty. O texto também prevê a possibilidade de municipalizar unidades de conservação federais e estaduais e está em análise na Comissão de Meio Ambiente do Senado.
Flávio também foi relator da chamada PEC das Praias, que propõe retirar os terrenos de marinha, incluindo ilhas marítimas, da lista de bens da União. A proposta aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Os planos de ampliar a exploração turística de Angra foram defendidos durante o governo de Jair Bolsonaro. Em maio de 2019, o então presidente afirmou que pretendia transformar a região em uma nova Cancún.
Pela Constituição, as ilhas são bens da União. Pessoas e empresas podem ocupá-las por meio de aforamento ou ocupação registrados na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que pode revisar essas autorizações.
Os cinco imóveis estão registrados em nome de empresas ligadas a Tomaz. Quatro ficam em terrenos na Ilha Comprida: três foram comprados em setembro de 2021, por valores patrimoniais registrados entre R$ 2,1 milhões e R$ 6 milhões, e um, disputado com Richarlison, foi adquirido em julho de 2022, com valor patrimonial de R$ 2,9 milhões.
O imóvel restante fica na Ilha do José André, em um terreno de 57,3 mil metros quadrados comprado em 2008 pela empresa Friponor Brasil Turismo, Empreendimentos e Participações. O valor patrimonial registrado é de R$ 23,7 milhões.
Tomaz também detém 25% de uma casa na Ilha do Jorge, registrada em nome da empresa Real Estate Duo 4, pertencente ao grupo Prime You. Segundo ele, a participação foi adquirida em 2022 e não houve relação pessoal, comercial ou societária com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-sócio da companhia.
A disputa que tornou os investimentos conhecidos envolve uma casa na Ilha Comprida. Richarlison afirma que ocupava o imóvel desde 2020, investiu R$ 10 milhões na propriedade e se recusou a vendê-la após uma visita de Flávio Bolsonaro.
O jogador acusou o senador de ter se aliado a Tomaz para obter os direitos sobre o imóvel. Flávio e Tomaz confirmam que são amigos, mas negam ter negócios juntos.
Documentos analisados na reportagem mostram que a empresa de Richarlison pediu à SPU a regularização da ocupação em setembro de 2021, sem andamento no processo. Em maio de 2022, uma empresa que alegava ocupar o imóvel desde a década de 1980 iniciou procedimento semelhante, que avançou e resultou na transferência para uma empresa de Tomaz.
Tomaz afirma que Richarlison pagou pela posse do imóvel a ocupantes, e não à proprietária de direito. O advogado apresenta escritura registrada, certidão da SPU e decisões judiciais favoráveis, inclusive do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na Ilha do José André, Tomaz planejava construir um resort com piscinas, beach club, spa, restaurante, espaço para eventos, hangar e heliponto. O projeto não avançou após a derrubada de um decreto estadual que revogava planos de manejo de áreas de proteção ambiental.
Questionados sobre os projetos comerciais e a relação entre as propostas legislativas e os imóveis, Tomaz não se manifestou e Flávio não foi localizado, segundo a reportagem.
Fonte: O Globo